sexta-feira, 30 de novembro de 2012

caleidoscópio


Semanas
dias
anos
o tempo
se acumulou ou fui só eu?

Essa chuva,
essa música,
não sei de mais nada,
não pergunte.

Na janela vejo corpos
dedos
luzes,
caem

como uma lente
passando
lugares que não existem mais
fantasmas
que deixei pra traz

noites
que a vida te visita
a vista bonita
nada exige mais que existir.

Você não precisa


Você não precisa
aqui está.
aqui está.
se quer mais:
aqui está.
aqui está.

deve pagar,
por sua fina casca
reluzente,
deve pagar,
o que te faz sentir ausente.

Você não precisa,
aqui está.
você tem amigos,
comida,
sexo,
tem até vida.

deve pagar,
se reclamar,
vai precisar,
mais do que impulso,
paciência pra gastar.

Você não precisa.
fique onde está.
você não precisa.
se não se vende não há.

você não precisa,
do que te faz pensar,
o que te faz chorar,
a falta do que
tudo vai acabar.

just smile


De tudo que se fala ou diz
uma totalidade
desnecessária
calem-se
parem os passos
entrem
cavem:
si mesmos
todos entorpecidos da droga do esquecimento,
da ilusão.
os que não falam
são deixados
os que no canto dizem:
contrário,
são deixados.
que não se enlatem por livre vontade,
tristes criaturas,
que riem como aquele que vai morrer disso:
felicidade é rir,
de si,
de mim.
felicidade é sentir-se
prostrado
amarrado
pela própria sorte,
e brindar com um brilhante e sonoro:
riso.
dizer ao mundo:
rio.
o tolo que toda noite sente-se tão vazio,
com um grande,
um grande nada.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

o nome é o peso, o peso não tem nome

Mais curvados,
sempre mais curvados,
como quem carrega o mundo:
somos o peso dos outros nosso peso são os outros.
carregamos a pluma do que querem,
a pluma do que sentem,
como insuportável percurso,
numa curva jogamos no rio.
mas o peso não é esse,
o peso sempre vai estar.
o que deixou,
a ausência torna-se a insuportável leveza do ser,
a leveza torna-se a insuportável ausência do ser,
a leveza e a ausência tornam-se insuportável peso do ser.
a carga está ali,
não vê?
naquele canto que visita as vezes,
quando vida e existência não são a mesma coisa.
sem exceção,
nos arrastamos.
pegue uma pílula,
tome outra:
temos de todas as cores,
temos o computador a televisão,
você pode sonhar, a pílula que quiser.
o anestesiado não sente a própria morte.
estamos,
existindo como peixes,
peixes se enchem até morrer,
peixes não sentem dor.

voz


Como uma voz no vento
uma voz no vento.
sem corpo,
sem ser,
sem nada.
de pensar,
ecoar,
o que fique sem incomodar.
todo o resto
pesa como ferro
pesa como ferro nas costas noite fria.
por demasia uns na vida dos outros:
dos pesos pegando, dos pesos doando.
engasgando-os.
voz no vento,
no vento hoje aqui,
amanhã não mais,
perdido,
sem noção de espaço,
eterno que não sente o tempo.
uma voz no vento.
sem corpo,
sem ser,
sem nada.

domingo, 25 de novembro de 2012

nada mais sendo

Desfazer
tudo, em tudo
que lembre que é
que pode
ramificar.
ver brotar
geração
de tudo que foi
pisado.
sem ar
sem sol.
cresceu por puro desprezo
sem o mais com que ser,
durar,
desperdício.
que sejamos,
pois
toda a criação podre
vivendo
ocupando espaço,
nada mais sendo.

morremos

Tudo
do que é vivo:
mas já mortos
essa matéria cravada
se arrastando,
se arrastando.
todos os sonhos:
mas o que é morto é cinza,
sempre
tudo tentar
despedaçar no farelo amargo,
nosso próprio ópio.
juntos:
nem um, nem meio,
desfazendo-nos em pura sujeira.
fomos um dia,
quando nem sabíamos,
tudo da alegria.
mas morremos,
antes de ser,
o que talvez seremos

sábado, 24 de novembro de 2012

maratona


A vida
um emaranhado,
de vidas,
desligadas e despreocupadas,
umas com as outras
preocupadas com si mesmas.

essa mania ocidental,
de ver a linha em tudo...
sempre em frente,
porque de repende,
o começo melhor que o fim.
estão vivendo,
tem seus medos,
seus segredos, ninguém se importa.
amigos já tem amigos de amigos,
e a família não tem você.
e,
bem,
você  tem telas, e imagens.

tentam
mas não são reais:
não pode tocá-las.
então vai e vai, e sempre...vai.

se numa corrida para:  crash.
você não sabe porque porquem corre
mas corre,
só e pra onde,
imagina valer.

esqueceu o caminho,
mas não os buracos,
tropeça na milha de traz,
como pode?

na linha da vida,
(essa mania ocidental,
de ver a linha em tudo...)
você vai para o tempo
como o tempo não vai para você
ele não existe
o relógio
os milhões de sonhos e coisas colocados nele:
foram inventados,
por alguém infeliz.

 apertamos o passo, quebramos o relógio:
comprimimos o tempo,
rasgamos o espaço,
mas é só pra esquecer,
que há, um fim,
ele não é
linha de chegada
prêmio:
mais tempo pra correr.

ele é um buraco,
você,
o tempo,
o espaço,
nada.


quinta-feira, 22 de novembro de 2012

dessacralizado


Tudo era sacralizado,
nada mais agora:
simples frágil doente,
mais e mais pó,
cinza e frio.
numa lenta agonizante diversão,
ir pedaço á pedaço:
no espírito o lago vazio da falta,
os heróis foram jogados,
bonecos despedaçados.
o superego rachado ao meio:
todos os animais dançam, cantam,
e pedem sempre mais.
o corpo então,
viagem variável, vertigem:
rasgando o bom e o belo,
estética do desprezo,
melhor.
nada mais sagrado, do que o que não é.
cada marca pungente,
uma vitória do que acaba,
aqui.
que até na imagem espetáculo se ama:
o morto vivo, sentimental.
desse spleen,
restou em mim,
essa cinza de todo dia.

disdain it all


Deixar todos
por esperar,
o que pensam,
contrariar.
não ir,
faltar,
falar: contrariar.
um rasgo da boa promessa,
no meu corpo,
no meu olho também.
tenho a doença que todos temos,
tenho a doença que todos temos,
tenho a doença que todos temos,
um dia se vão,
por desprezo no olhar.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

volver


Não luto contra a gravidade,
a decadência.
gosto do gosto,
do amargo
do que cada dia menos:
caindo
caindo.
quem sou pra abraçar o caminho contrário
imortal.
sigo só o que ganhei quando nasci:
muerte de los hijos
todos pertencemos,
todos iremos,
pro mesmo lugar,
volver.

sábado, 17 de novembro de 2012

deixo


Homeopaticamente,
de lugar a lugar
pessoa a pessoa:
deixou o diferente:
deixo.
inconstância do estranho,
o comum dá uma ânsia,
sonolência torpe.
eu deixo,
não paro,
disparo daqui, dali.
todo dia como se fosse o ultimo,
apenas esperando:
que se forme na acomodação do igual.
então me vou,
se ficar,
existo sem sentir,
vivo sem pensar.

gravidade


Sinto como
se a gravidade de repente:
fizesse mais efeito em mim,
a vertigem, a cabeça rodando,
tudo gira pro fim.

As vezes a vida mostra como se
não tivesse asas,
nem nada pra prender.
então se pode cair,
livremente.

Sem os anos,
os pais,
sem nada.
as palavras são como um ultimo adeus marginal.

entorpecer


Encontra-se
formas alternativas de entorpecer
a existência quente e pesada,
a eterna tarde da vida:
senão as drogas,
 a música,
o grito desesperado das páginas de alguém.
senão existir comprido demais,
o tempo sempre lá:
na frente,
intocado.
entorpecer pra correr o tempo antes dele mesmo,
pegar e brincar com o tempo como se estica ou arrebenta,
um elástico.
nós desprezamos o tempo,
nós desprezamos o kitsch barato da vida,
nós vivemos na margem das tardes,
entorpecendo.

fino frágil


Por traz de todo o insólito aqui:
botão de lótus, de ti em mim,
do projeto de sentir o simples:
nós dois.
que tudo é demais ideias,
tristezas,
vontades.
sobrevivemos é daquilo que fica na beira,
um sorriso querendo abraçar.
que a vida o mar o céu sejam um só:
assim quero que seja de mim em ti,
de ti em mim,
o fino frágil,
o que é deixado,
e ninguém vê.

vertigem


Nessa janela
o mundo
vertigem:
que talvez não deva olhar por muito
quase uma vontade de cair,
cair?
voar,
no ar intrépido,
o fundo,
sonhar.
eis que assim acordada:
nessa ponta,
a confusão:
vida e morte tão perto,
um descuidar.
eis que deixar,
pois nessa abertura,
parece tanta vida,
tanto deixar falar,
existir,
que todo ser será
aquilo que tem,
que puder,
que amar,
ou não amar:
eis o impossível de sonhar.
deixar,
vertigem vai vagar.

calos


São experiências,
esses dedos que calejo com cinzas,
com poemas:
do mesmo modo que calejo minha alma,
com todos esses que passam,
e esses que ainda não passaram.
são os calos daqueles que trabalham na vida,
e não por ela.
quero,
calos como cada signo revestido:
símbolo e veracidade,
não passível de estudo,
ou sentido conforme os anos.
não calos que se expliquem por si mesmos:
calos que sejam a vida renegada dos cantos.
que tenho as mãos ainda limpas,
sei por onde ir,
e por onde ficar,
e assim deixar,
calos subexistir.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

a menos


Assim, em cada
cigarro,
no trago,
no gole,
no suspiro desse ar maldito:
contemplo o infinito.
cada ir e vir,
um dia a menos,
dessa vida,
comprida,
em demasia.
não tenho pressa não,
nem necessidade,
de deixar nesse chão,
semente saudável.
talvez seja um estágio,
que tenho por cumprir.
mas enquanto isso,
nesse ir e vir,
um dia a menos,
dessa vida,
comprida,
em demasia.

de mim á mim

quero assim,
rasgar esse corpo condição que tenho,
e ser mais:
vestir de mim á mim a sujeira que me impede:
o ser por traz do ser.
experimentar do masculino,
o gosto caleidoscópico por todos os corpos,
e sensações.
do feminino o detalhe do detalhes dos olhos piscando,
o segundo que parou.
vou abrir meu corpo alma, confrontar a dualidade,
de me ter.
e vou ser:
música,
cheiro,
movimento.
não ter:
o papel de ter o papel,
no mundo revestido do social profundo.
 se tiver que ter,
na transformação de mim á mim,
a marginal de não fazer sentido,
eu grito:
que venham á mim,
os que não tem medo,
se vão que passem,
sou uma pergunta,
de mim á mim,
desvendo o segredo.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

no fim sem máscara


A todos 7 faces,
a todos 7 faces,
7 facas,
7 faces cortadas.
quero, a ti, mostrar uma/todas só,
você,
que eu escolhi,
não sei porque,
que eu escolhi sem escolher.
como um cemitério,
um jardim,
um livro,
um corpo aberto.
respirar tudo que há,
sem tampar.
que tenha medo,
delírio,
desejo
amor.
porque há de sempre sobrar o mal estar da intimidade,
mas o enigma que fica,
prende,
purifica.

imperfeito


Levantar voo,
como um animal solene,
queimar em si,
e não temer a queda livre.
ver no imperfeito,
uma doçura do medo,
de não desistir.
amar o imperfeito,
porque não se ama,
andar,
caminho contrário,
do sucesso casa, esposa, carro na garagem.
reproduzir,
amor e verdade,
não filhos, vaidade.
ver no imperfeito,
o que não quis o mundo,
por medo da defesa,
arisco, profundo.
sincera,
verídica atuação,
doar de si,
desistir da glória solitária:
pulsar mente, mãos, coração.

genuíno


Mundo,
cego de perceber,
a fraqueza de não amar,
a fraqueza do mundo.
que é nascer do fruto maduro de existir,
essa possibilidade:
ver os vazios,
pontos escuros,
o frágil cravado,
e amar, ainda e mais, assim.
que o grande,
perfeito e saudável,
é a ilusão,
o nunca precisar.
o genuíno,
é olhar,
pra impossibilidade do outro,
e quere ficar.
é um eterno aprender,
sempre esconder,
que como no espelho se vê:
o feio, doente,
que deseja expulsar,
como hei de abrigar,
outro assim aqui?
como há de querer,
isso, alguém, de mim?
as partes,
quebradas,
então,
continuam assim,
desprezadas,
que no mundo fraco,
que se ama,
mas não por completo.
não vê o fracasso,
se vê ignora,
ama-se o bom,
o altivo e opaco.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

pro mesmo lugar


Como inseto na luz:
seguimos o caos,
porque soa assim,
brilha assim,
tão bonito.
todo o acaso da falta:
de início,
não estava,
continua-se,
não falava,
e no acaso,
frio um dia:
feliz demais pra ver qualquer um.
mas o caos quando vem,
não vê a ordem:
só cria.
não sabe quando,
nem onde
quando o relógio marcou horas,
segundos, paralisou  o tempo do mundo,
e todo o acaso da falta se fez:
um só a girar,
um laço do porque, a amarrar,
e a magia de lembrar,
todo lugar,
que o acaso jogou,
e a distração não deixou,
que se olhasse.
mas quem pode,
com o caos.
na lâmpada do mundo,
que veem, nem o brilho, nem o fundo,
olhamos, sem poder falar.
cada um,
achando o contrário do contrário,
um sorrindo,
outro negando,
ambos indo,
sem saber,
pro mesmo lugar.

palavra da vez


Que talvez,
seja,
assim,
como um pássaro,
que vai acompanhar.
que vai saber,
quando recuar,
quando cantar,
quando pousar:
nunca deixar.
há que se implorar,
que se vá,
que não seja como o mundo:
que não me venda ao meu cansaço,
a minha vaidade.
e continue,
no silêncio,
desse voo,
sempre em queda livre,
caindo direto:
ao centro de tudo que vai emanar,
pra pode antecipar,
a palavra da vez.

coisas que


Há coisas que,
não entendo eu,
não vê, você.
que só sinto aqui,
no resto de lugar bom,
no fundo,
que não vê,
no escuro da superfície.
e vai dizer,
o quão impossível é viver,
é querer,
nunca é poder.
já vi,
tanto disso,
não vou, provar o contrário,
deixa que o imaginário um dia mostra,
tem coisas que se amarram não sei onde,
não porque,
pra sempre.

palhaço do mundo


Um dia,
quem sabe,
a glória:
palhaço do mundo,
ridículo, no fundo.
ser tudo que não se é,
dizer o que não pode.
nada a segurar,
amar,
todos,
que por paredes afastamos.
nunca levar,
e usar:
ressentimentos como defesas.
ver beleza,
até onde não tem.
quão bom,
deixar tudo torto,
o atado solto,
a vida por fazer.
nada,
nada impedir:
amanhã não existe.
Um dia,
quem sabe,
a glória:
palhaço do mundo,
ridículo, no fundo,
rir,
até não poder.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

numa caixa, repousar


Não há de fato,
o que falar:
que quando vemos assim,
não vemos o mundo,
vemos que o mundo deveria,
ver,
sentir,
saber.
por isso,
compreender,
tranquilo como um barco de papel,
jogado no mar,
que não há,
mesmo,
o que falar,
tudo é perspectiva,
fresta pra se olhar.
só movemos nossos braços,
talvez as próprias pernas,
não movemos as linhas,
dentro,
a máquina,
do tempo.
mas não há se preocupar,
não há quem culpar.
há sempre onde deixar:
tirar os olhos,
e não ver,
o que não se pode provar,
desistir e guardar,
os olhos que tão velhos,
numa caixar, repousar.

o que é eterno dorme


Acabou,
deixar ir.
o que é:
novo,
bem assim,
não reconheço.
na vida,
não se faz por provar,
o futuro,
o que se é,
o que será:
todos temos olhos.
hoje, deuses dos nossos próprios destinos,
seguimos,
e não temos direito,
sobre ninguém.
só resta,
ternura,
e a vontade:
que converta-se de ti em ti mesmo,
mas,
que irradie,
que brilhe.
um dia,
que nem vou saber,
aqui estarei?
um dia,
espelho:
vai ver,
tudo aquilo que sempre foi,
todo o poder,
vai trocar de pele,
tudo que é sólido,
agora,
vai desmanchar no ar.
só fica,
o que é eterno.
mas há que dormir,
agora,
e ver só palavras.
o segredo,
escondido,
dorme também.

domingo, 11 de novembro de 2012

peso insuportável de uma pluma


Penso,
que estamos presos por uma sutil dependência:
a irrelevância de se saber,
sempre onde encontrar,
então não se importar.
não deixo, assim
de inquietar,
pensamento,
o que seria,
dessa linha atada,
se perdesse o encontrar.
sumir da imagem,
da rede fina e desligada de emoção.
talvez  descobriria,
frágil ou forte essa linha,
pra desespero procurar:
onde estará?
ou nem perceber que se foi,
sem avisar.

cidade de fogo


Essa cidade pega fogo,
é na alma dessas diferenças,
dessa desconcentração,
essa cidade pega fogo:
é nas ruas, fim de tarde,
doce solidão.
Essa cidade pega fogo,
é esse céu tão aberto,
é essa cor colorau,
que se junta ás luzes,
parece incendiar,
farol.
Essa cidade pega fogo,
terra tão desconhecida,
tão forte,
tão sofrida,
de lutas recentes,
de gente brava,
sangue ainda quente.

menininha


Tão nova,
tão velha,
vestindo a vida,
tudo que fizeram.
tudo que disseram.
episódio,
dia a dia,
tudo foi.
mas tudo foi:
tudo fez, hoje é.
as vezes,
submerge,
quase um pedaçinho,
dando adeus:
menininha,
sozinha,
desobediente,
distraída do mundo,
perdida no fundo.
lá vai ela,
a mãozinha balançando,
tá voltando,
de onde não sai mais.
episódio,
dia a dia,
tudo foi.
não se morre de peso do mundo.
continua-se, por arrastar.
as vezes vem,
a menina a consolar,
olha alguém diz:
dá a mão,
chama pra andar,
esquece, deixa amar.
rodando, rodando,
tudo até parece dourado,
mas é a menininha,
o fresco,
o passado,
que submerge lembrar.

se não quem


Eu não sei,
se é um foco cego,
como um artifício bom,
pra não perceber,
tudo quando é lança apontada,
pedra jogada,
buraco no caminho.
sinto às vezes,
microenergia dessa barreira,
dizendo:
deveria preocupar.
não como tudo que vai,
 nem como tudo que fica:
eu fico, eu vou.
é tudo que posso fazer,
tudo quanto posso ser,
queria como que parar,
sair do quadrado,
da vida,
e perguntar:
é isso, ta certo?
quem vai responder,
é tudo uma vez,
jogada, erro, acerto:
nunca treino.
o que salva,
o olhar,
o pequeno,
que se não o simples,
quem vai aliviar,
quem vai acreditar,
na recompensa depois,
na planta crescendo,
eles sorrindo,
paz nascendo?

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

o espelho do mundo


Dias,
que a indignação,
é a única certeza.
que vontade,
de poder que tudo seja bom,
que não se acumule,
o peso dos dias,
e o peso de tudo que se vê.
vontade,
de viver assim,
num mundo quietinho.
em que,
não pego pra mim,
o que não posso carregar,
sorrir assim, sem pensar.
olhar,
pra enviar,
tudo de mistério,
e singelo,
o sutil,
e o simples:
sem precisar dizer.
amar sem porquê,
e nunca achar,
o porquê de amar.


Dias,
em que a indignação,
é a única certeza.
tudo se acumula,
e todos tem,
o que não precisam.
lojas pra sorrir,
cartões pra florir,
palavras pra não se ouvir.
E tudo é motivo,
pra odiar,
pra afastar,
pra deixar,
se enganar.
Um eu tão grande,
tanta vaidade,
que só se reina,
a incapacidade.
porque não consegue,
nunca vai entender,
que nem tudo tem porquê.
e assim vão,
e não vão amar.
e só vão olhar,
esse outro mundo,
onde não há,
como quantificar,
o que não tem porquê,
o porquê de amar.

luzinha no peito


Tudo assim,
as vezes,
me é estranho,
como andam,
como falam,
como guardam:
depois pegam,
e ainda assim falta.
os rodeios que fazem,
pra sentir,
pra correr,
pra seguir,
pra sofrer.
não sei,
talvez tenha
espírito assim,
de quem nasce agora:
o simples é bom,
natural.
simples é sorrir,
simples é chorar,
simples ajudar,
simples amar.
não precisa,
muro,
banco,
roupa,
carro ou jornal,
não preciso,
de vestir em mim
ideias e certezas
o simples,
é sempre o certo,
luzinha que acende no peito,
sorrir de ver o céu,
dormir,
e sentir que o travesseiro,
é a própria mente,
sentindo o bem,
de ser, ter, fazer, o bem.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

isso daqui


Você que passa,
se vai passar,
passe.
isso daqui já é velho,
poeira já encobriu,
isso daqui já conforta,
muito do que existiu.
isso daqui já é de casa,
é costume ser assim,
o estranho que vê,
não é estranho pra mim.
portanto se fere ou dá medo,
passe logo de vez,
isso daqui já se cansa,
de esconder a palidez.
tudo isso daqui,
há muito já encontrou lugar,
onde está se acomodou,
pra sempre há de ficar,
então vá passando,
que não interessa mudar,
isso daqui não lembra mais,
o que é não aceitar,
isso daqui de ser estranho,
isso daqui de sonhar.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

aprender


Aprender,
compreender,
mudar,
executar
executar
executar.
se aprende quando,
Se compreende,
ou se vê,
e entende,
não quer mudar?
talvez,
só levamos,
aquilo que nos encaixa bem,
que não nos faz tornar,
ou absorver,
e sim aquilo que:
externamente,
se situa, no que,
internamente:
flutua.

não

Sei, eu,
de mim,
dessa alma boa e branca,
não ser meu fim.
no presente que entrego,
no pouco que pouco peço,
sempre a encher de todo,
o egoísmo sem esperança.
que não sei não dividir,
o que vejo,
só, importa.
não sei não tomar de si,
o que de repente,
me toca.
assim,
até que o sopro dê um fim,
no reflexo do espelho,
belo, forte e bom,
que não faz parte de mim.

existir


Há que se encontrar,
na vida,
motivação.
há mesmo?
tão necessário se faz?
minha vida vivo na beira,
na linha,
no inacabado,
de tudo que é fugaz,
isso de que falam,
não vi,
nem me apraz,
que o sutil,
é a fronteira,
entre a vida,
entrevida.
não há nisso,
pouca coisa,
também pode se perder,
as vezes o que brilha nisso,
é tudo que há de morrer,
enquanto puderem esses dedos,
enquanto verem esses olhos,
enquanto a busca vagar,
na linha vou me encontrando,
na beira me perco, talvez,
mas não há motivo,
nem no mundo, canção,
que me dê mais,
ou alguma emoção,
do que sente ou fala isso aqui,
nessa linha, há acabar.

poema oração


Que eu fale,
e que não se ouça.
que eu seja,
e não exija.
que eu tenha,
e não saiba.
que eu ache,
mas sempre busque.
que eu veja,
e não deseje.
que eu doe,
e não espere.
que eu transforme assim,
de mim em mim mesma,
em algo melhor e simples,
que isso não me estranhe,
que isso não peça lugar,
que isso não se acomode,
que isso veja no que tem,
estrada pra caminhar.

borboleta


O peso de ser,
borboleta,
num mundo de bicho,
grande.
há que nunca se cansar,
de voar,
nunca,
estagnar:
o perigo de ficar,
quando pegam, borboleta,
perde as asas,
definhar.
tem dia,
borboleta  se esforçar,
o ar tão pesado,
parece ter que atravessar.
entender a borboleta,
é arte,
essa assim como a vida.
borboleta,
leve,
livre,
há de ver,
se extasiar,
há, contudo,
libertar,
borboleta não pertence,
borboleta nasce e morre,
sem pra gente se doar.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

não sei porque

Deixa,
que assim somos,
mesmo:
tiro no escuro.
saber, só,
se o erro,
ou acerto,
foi o necessário:
ninguém mais.
que o peso e o papel,
de ser,
de ter,
olhos fechados e apostar,
seguir estrada,
de estrela,
que nem se sabe o nome,
talvez seja pra ser,
assim,
talvez não.
saber, só,
se o erro,
ou acerto,
foi o necessário:
ninguém mais.
estou pra dizer,
que a magia ta nessa estrada,
longa,
pouco iluminada,
que se segue não sei porque.

deixa haver


Há que as vezes,
também dar-se,
paz,
esquecer.
que lembrar,
sempre,
é querer,
reviver,
então assim olho fechado,
mente vaga:
nada,
que é tanto,
sem descanso.
pedir:
pausa,
desistir,
de ser,
de querer,
deixa que,
essa luta,
não quero vencer,
deixa haver,
engano,
deixa pensar:
não é.
ninguém compra,
a paz de esquecer.

domingo, 4 de novembro de 2012

paz de pensar


A paz,
é, por ainda,
a paz de imaginar,
como a paz será.
ver sorrir,
com certeza da
certeza da vida:
deixa guiar,
assim, entender,
sem precisar falar,
tudo no seu devido lugar:
meu pai sem saber,
se é viver ou sonhar,
minha mãe,
tudo que deu:
a lhe dar.
meu irmão,
nada a cobrar,
a vida dá,
sem esperar,
os seus,
assim também,
com o melhor lugar da vida,
sem pensar no fim.
e essa,
talvez,
seria,
a paz na vida,
a calma na terra,
nossas mãos,
seguindo,
em frente,
paradas,
em que lugar?
não há,
necessidade,
fixar,
o que é fixo não se vê:
é uma linha dourada,
que por dentro amarrou,
a vida,
a morte,
o futuro,
 e ficou,
só assim,
a paz.
essa paz que eu não sei,
essa paz tão boa,
a paz de pensar,
uma paz em mim.

a se perder

Houve um dia assim,
como num tempo que se imagina,
ido, finito.
quando o ar gira em uma só direção:
o vento sopra mensagens,
borboletas vão pra luz,
foi-se.
num dia assim sem espetáculo,
nada na TV,
possibilidades:
é o que tem, fique.
mas assim,
como todas as belas histórias,
surpresa,
quem espera nunca alcança,
e na distração:
sempre estive aqui.
e a música não parou de tocar,
e com ela cada nota:
a magia,
a vida,
o medo de perguntar:
o que vem depois?
porque sempre assim,
um desafio.
há o medo,
a curiosidade,
vontade,
de abrir as cortinas:
voar.
mas assim tem que ser,
tem?
pois ali,
janela,
esse céu de nuvens, chuva, tempestade,
parece convidar pra uma viagem.
fim da história?
continuidade,
que vale de pensar,
um sonhador,
sempre no que será,
um corpo pra abraçar,
lágrima pra derrubar,
sorriso pra curar,
alma pra lhe dar,
continuidade,
que vale de pensar,
um sonhador,
sempre no que será,
desafia a coragem,
esquece passagem,
não pede: vai,
porque não há magia,
que acabe no que foi,
magia é como caos,
não começa,
não termina,
sempre ali,
num canto,
um dia,
se percebe,
roda, gira,
a se perder,
um,
a pertencer.


um dia


Que dia, esse
que céu,
que nuvens,
que languidez.
que finas,
que frágeis essas palavras,
e que bonitas,
fazem,
assim,
par perfeito com esse dia,
ah mas que pesada,
a antecipação,
que o dia há de ir,
também hão as palavras,
o vento,
a vontade,
nossas vidas,
vagas.

possibilidade


Que belo desperdício,
fazemos,
nós dois.
porque sabemos,
sabemos que temos a sorte,
de sermos os poucos,
 que sabemos.
e tanta estrada,
tanto caminho que se vai,
todos eles,
sabemos,
vão dar no mesmo cais,
esperando, nosso barco,
pois que temos que partir,
pois que sonhos,
vida,
cores,
o simples e o complexo:
o futuro,
há que se agarrar,
como quem suga o ultimo gole de vida,
a possibilidade,
única,
bela,
de amar.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

droga existencial


Todo dia,
tomo,
homeopaticamente,
overdose,
droga existencial.
nojo,
repulsa,
mas o que fazer?
é a droga existencial,
tudo o que pode,
é ser,
seja,
como,
tem,
dizem,
mostram.
durmo com,
efeitos misturados,
tentando,
desintoxicar,
acordo:
vamos diluir,
confundir,
a visão,
mais uma dose,
que ninguém morre,
droga existencial.

imagem sonho ou realidade


Nessa triste,
colorida,
e feliz,
época,
hipocrisia.
somos todos,
mudos,
ficamos,
a encarar,
nós mesmos,
uns aos outros,
aqui,
ali,
imagens,
que mostram só o que não somos,
eu desafio,
aquele,
que vai rasgar,
essa ilusão,
essa visão,
e mais,
rasgar a si mesmo,
submergir,
dizer:
sobrevivi.
vim pra contar,
isso não o lá,
como ontem,
na caverna:
hoje,
em nosso reflexo,
imagem,
sonho
ou realidade.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

umsóadiante

Eu sei,
não nego,
não ligo,
não vou,
me importar,
pode,
pois: dizer:
ilusão.
mas assim é,
assim sou,
na fé cega,
de um dia trazer,
paz,
brilho,
um livro,
de poemas,
de desenhos,
com sua vida ali,
minha vida a vir,
tristeza, alegria,
não mais solidão.
pois que digam,
todos esses,
não sabem,
da vida,
da morte,
só preenchem o espaço,
Mas um dia,
quando então falar,
coragem,
amor,
ou passagem comprar,
numa esquina cinzenta,
muitas ruas atrás,
o relógio vai contar,
não o tempo que foi,
mas o tempo do instante,
o tempo que para,
o tempo que cala,
o tempo da vida,
tiquetaque a começar,
um só adiante.

barreiras


Tem,
coisas que por mais que,
grandes,
são guardadas por finas barreiras.
Transparentes,
prontas pra romper.
Ah,
mas tão bonitas,
tão quietas,
trabalhando tão bem,
escondendo.
que fica-se, só, quieto,
olhando,
as coisas aqui,
as coisas ali,
movimentando,
diminuindo,
aumentando,
desfocadas,
por uma,
segunda pele,
todos criamos,
e há de ser assim,
finas paredes,
pra esconder e mostrar,
mas no centro fugir,
do não ou do sim.