quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

por que
tenho que perguntar
antes que a fugaz meninice de minha mente se vá
ao redor do que me fere, escapei uns segundos
antes que eu me vá, me entre
antes que adormeça
perguntar
por que

ensina-me vida a ver o que deveria, mas não vi
arranca meus olhos para que eu não veja
tão humana
adormece minha mente para que eu não queira ferir meu corpo com tudo que se dá a fuga
ensina-me a perguntar, assim, as vezes, com calma
sem pisar-me a própria alma
por que

diz-me devagar e com silêncio o modo de perguntar
dê-me a força necessária pra encontrar
sabor na água que não é água depois da água provar
sabor na cor que não é cor depois da cor contemplar
sabor na vida que não é vida quando a camada, retirar

mas guarda-me mais um resquício dessa criança
que pede em silêncio que fique
guarda-me dela a doçura sem rancor
guarda-me ela
a inocência
o perguntar

por que
meu olho direito
embaçado
desconfia do que vê


bem faz olho meu, vazio é ilusão
só a ideia é infinita, posto que perspectiva
e numa vida, eterna

na rua,
mesmo vazia
a noite um cachorro dorme,
não,
existe apenas, existe em sono quem não pensa

ah mundo meu,
por tanto rejeitei
o canto da visão
a periferia do que mostra a mim em verdade
própria construção
quem sou eu
filha
mais uma
da missão
saí da caixa, adeus mundo meu

só a ideia é infinita, posto que perspectiva
e numa vida, eterna

dou-te embora corpo meu
presenteio sua elasticidade
sua inverdade
com todos os vícios
as marcas
que testa, minha mortandade
enquanto (vivo)
flutua face minha
enquanto (há) mar

quanto ao resto
ao infinito
vai resto meu
enquanto (te) guia
alma

só a ideia é infinita, posto que perspectiva
e numa vida, etern
a

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

num vasto mundo
pensei haver
tantas cores
pensei ser
vermelho

tudo cinza

vermelho é só vontade
que ame mais o mundo
do menino na rua
da criança crua
dos pais confusão
da alma torta
encontro coração

tudo cinza

vermelho é só vontade
como mostrar
estou cinza também
sozinha por ter de acreditar sozinha

o mundo é projeto de si
pequeno e incapaz
quem acha que sabe o quer
o que quer é superfície na pelo pro mundo
pra provar mais pro outro e pra si

tudo cinza

cinza só não a paz
a paz é preta carregada de cor confusão
de voz em excesso
de ruído
incomunicação

imploro a paz transparente
um lugar inexistente
solidão
queria ser um
ser
sem
solidão
matéria nas mãos
que flutuasse
voasse
calasse
esquecimento em um mundo vão

nasci palavra
palavra muda
palavra dada
palavra ouvida
palavra ferida
levo comigo
a promessa
das letras formadas
pra um futuro ser
consigo apenas repousar
meu amar
meu sonhar
meu ser
em palavras

estou sempre soltando-as
pois que saem
sem pedir
estou sempre ganhando-as
me cortando
sem querer

existe um lugar
quase estive (lá)
lá é
lá é
lá é tudo que não direi
ausência de ideia
de matéria
esquecimento de promessas
de ser
“confie em mim”
lá não há confiança
mim
ou esperança
o que é amor perto do que (é) lá
que não (é)
la que é (não)
a paz de não existir
sem paz
sem solidão
sem nada
sem palavra.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

menino moço
homem
da barba
do rosto tempo
solidão
acumulam-se numa ideia fantasma de si

só vejo luz em ti

menino moço
homem
cada canto teu
canta aqui
desenha em mim
curvas vertigem
me salva do chão

só vejo luz em ti

menino moço
homem
herói
marginal
só te toco as margens

só vejo luz em ti

menino
moço
homem
tua mão
tua ideia solidão
tua vida escuridão
irradia em mim
ilumina a visão
me preenche o coração

não canses de dizer,
doce é seu convencer

pois que tu e tuas sombras
canso nunca eu de ver

só vejo luz em ti
A verdade pura e sim era
por mais que eu estivesse sempre a untar minha mente
unir minhas partes
era desencontrada
sempre prestes a cair
perdendo partes por aí
perdendo o medo do sentido
catando abrigo
nasci num desencontro com mim mesma
uma tarde estranha
ah esses pequenos demônios da mente
me dizendo
só não fique triste
mate o que incomodar
mate só mate
vou dizer que esse calor não me põe assim
tão paciente
ficando os demônios insistentes
ei de fazer
é um dever
manter e cultuar a unidade do caos
ninguém vai me dizer
o que ser por onde não ir
já entrei
quero sentir me preencha doce ligação
com quem me ama
por tempo demais
mas que material
é depósito dessa mente
as mais divertidas torturas diárias
diverte-me proporcionar
matem-se no meu circo
queridos, meus

um momento
aguardo ao telefone chamar
uma vontade de desistir
por que mesmo?
falar
interrompe
sei
do ruído
cacofonia
da ausência
da demasia
estive aí

acalma teu coração
prepara a rua
aponta a lua,
pro teu descanso volto então

um despertar exigente
cava
fome sente
das palavras que não mentem
o sentido
é vasto e vão

acalma teu coração
prepara a rua
aponta a lua,
pro teu descanso volto então

força que empurra
parede que anula
desfaz do movimento
acaricia o pensamento
deita embora o comando

aprende a ter o que não tem o mundo.
eu sei,
(sou)
todo segundo
me dê teus olhos e durma...

acalma teu coração
prepara a rua
aponta a lua,
pro teu descanso volto então

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Como
em que formas
em que palavras
que estranha racionalidade consegue
deixar ir

Todas as ligações vãs e cansadas de meus fragmentos tentam
inútil tentativa
pois que o que está é-se antes mesmo de ser
antes mesmo de saber
antes mesmo de querer

Vou-me como o vento
como substância sem movimento
por sono de devir
de dever
por ir

vou no entanto
sem entender
como pode um pensamento
comandar
sem sentimento de comando
sem forçar de sentir
que se vá
sem agir

vou, no entanto
Sei que vejo só
o mundo amplia
coçam minhas mãos
meus olhos queimam
o mundo amplia
ou só meu quarto

Ah, existência iluminada pela dúvida
pelo ruído
me ilumine também
amplie em mim o devir do meu próprio nascimento
faz nascer em mim

opções
a vida te faz escolher
nos tópicos mulheres homens saúde e tristezas
sobreviva aos tópicos da vida
sejas tu teu próprio botão

E há os evangélicos
falam com você
e te dizem dos exames
da amada que deus em fé enviou pra que a vida multiplique amor
o que sabem da vida esse pobres
sabe mais da vida a fumaça de meu cigarro
que fluida sem direção
vai
apenas
e me leva
sem perguntar

vai você também
seja o pó das ruas
nu
nua
seja o riso das ruas
vai
o que sabe tu senão o que te revelam esses olhos que nem revelam
vai tu
que tu és de todos até que te digas o contrário
vai tu
que não tens marcas
que não sejam a marca dos homens
pois que a vida
o cigarro
a ferida
não veem em tu mais que receptáculo pra repousar
repousa então tu, também, sobre a vida
sobre o cigarro as ruas
não te digas que não és o que nem foi
o que nem sabe
o que nem és
tu
que só és, visto que pensas
tu já eras antes de pensar ser

ah
pequeno
não vês como te enganam
todos os dias
os fios de teus pensamentos
os nervos de teus olhos

sejas sem pensar
deixes queimar
como queima teu cigarro
queima pela vida e vais

o dia que souberes tu
da vida
serás o dia que não saberás
pois que serás, tu
sem pensar

só as manhãs entendem o todo


sábado, 7 de dezembro de 2013

Todos os santos insanidade
doidos
beatos
os que a todo instante
fogem da morte

Entenderão

Meus fios tortos
meus pensamentos
meus fantasmas
meus mortos
não vejo fim

Grito no escuro
onde estarás fim de mim

Hoje faço
não sem gosto
não sem medo
uivo a sorte
que encontre
um rastro de mim

Se eu não soubesse
dos poetas tortos
da existência pervertida
no excesso de vida
não estaria aqui

Canto ao caos
aos que a ti sobreviveram
ó existência
estação para o inferno
lira dos 20 anos
assassinada na rua morgue

Canto ao meu cigarro
queimando o tempo
derretendo desintoxicando
levando de mim

Estou no canto insano
vai, ser gauche na vida
e não vejo saída
saída de mim
Dúvida
dor
doçura
medo
Dúvida
dor
doçura
medo
Minha mente
brinca
em meu coração
pulsa
minhas mãos
Dúvida
dor
doçura
medo
Misturados
ritmados
Sempre a mesma
sempre outra
Retipando
entendendo
processando
Dúvida
dor
doçura
medo
Tornei-me
um compasso de mim
fi-lo
assim
pra organizar

Dúvida
dor
doçura
medo
Só me encantam as artes
que agora a parte
do que tenho em mim
converso

Só me encantam as belezas
da tentativa de criar
do som
a tinta
a palavra
do que tenho retratar

Só me encantam as artes
o que obriga
cansa
padroniza
me doem ossos cabeça pensamento
vertiginoso de repente

Só me encantam as artes
pois me encontro sem fim
sem propósito
sem caminho
que leve de mim
tudo que é útil
quadrado
fadado está
morrendo assim
Encheram-me dessa coisa meu deus o que fazer
eu que nem em ti acredito
acredito apenas nessa palavra vazia construção ora maiúscula ora minúscula
de desespero vão
mas encheram-me dessa coisa que as vezes vermelha viva
clara nas manhãs
azul no cuidado
isso de que falam as músicas
as artes
isso que perseguem os tolos
que fingem não querer
todos
encheram-me assim tanto dela
que eis aqui minha ode ao resgate
ao resgate de minha contemplação
pois eis que me encontro
cheia de matéria
de verdade nas mãos
o que fazer
quando se tem da matéria já não se és em projeção
agora é busca ó meu deus
em cada canto em vão
em cada som
em cada luz
em cada fio de solidão
entregar-me
eis que a vejo
doce visão
afaga meus cabelos não posso não quero não vou
dizer não
mas ah meu deus
o mundo também é só
e só tantas são as vontades dos homens
o que fazer então
com esse algo que só pensa
em darse a outra mão
o que fazer quando descobre
tudo o todo ilusão
o que dizem as bíblias o que pensam os homens
o que tentam os livros e toda a criação
o que não dizem os amantes
quando deparam-se
quando encontram-se no não
estou assim com essa criança
a me puxar pelas mãos
seus cabelos são selvagens
seu riso contradição
é tão doce essa criança
não posso negar-lhe a mão
o que me pedes é tão singelo
o que me exiges é tão senão

Que guardes a verdade
de existir sem criação
somos nada no entanto potência
temos nossa uma missão
sair da margem enfrentando
o que nos nega a construção
será herói rebelde tolo
quem o for de coração
me obrigou a criança
tocar a água palma da mão
me disse a criança só se liberta
se liberto é o coração
líder será de toda luta
quem amar sem negação
quem devoto
cego
obstinado
amar sem achar razão

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Sou Ninguém.
A parte do que sou, no entanto, sou eu toda a consciência. Sou eu toda a liberdade. Sou eu toda a existência.
Sou Ninguém.
A parte do que sou, no entanto, sou todos os nomes. Sou eu toda água embaixo da superfície, Ninguém esperando para derreter.
Sou Ninguém.
Eu Ninguém, no entanto, descobrindo a profundidade da potência em projeção. Ninguém contêm os sonhos do mundo. Ninguém espera como centrí fuga, força construtora.
Sou Ninguém.
Da agonia descubro as garras do mundo. Do instante, a dor. Ninguém usa as próprias garras para a dor do mundo. A parte disso, tenho toda a aflição.
Nada liberta mais Ninguém do que a consciência de Ninguém humano.
Nada liberta mais Ninguém do que a consciência de existir oprimido e já, produzido, e no entanto, carrego em mim toda a possibilidade do Mundo.
Sou Ninguém.
Ninguém é responsável pela própria existência.
Ninguém é solidão.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Quero a glória do meu silêncio
silêncio mundo
eco profundo
quero a glória da construção que se dá na superfície:
o vento toca cortinas que se movem
sou solidão

Quero a glória do meu silêncio
não tenho tristeza de minha solidão
me extasiam como se formam
me encantam evasão

Fiz da renúncia a renúncia em si
que soa como pés descalços no interior da linguagem
na beira do rio
dos homens a margem

Quero a glória do meu silêncio
mundo te sorrio
pois não sabes
estás vivo
e pulsas invasão

Quero a glória do meu silêncio
tempo
presenteio-te com o momento
que levas pra imensidão
hoje vejo do teu silêncio
sempre ardil na construção
tudo glória solidão

doce tempo
meus braços abertos já pressentem antes de ti
saltarei fora de mim
não me despeço:
eis que ali
vereis de novo
serás o mesmo
e sempre outro


Quero a glória do meu silêncio

sábado, 30 de novembro de 2013

Aqui lhes vai
uma triste verdade:
estamos todos de frente
sem o hábil da verdade
sem poder deslocar
a mão
alma
pensamento
sem fazer-nos
o que não é pra nós
todos sofremos
dessa ânsia vã
derretendo como uma obra de Dali
morrendo de sede dentro do rio
tocando a comida sem comê-la
frágil
inalcançável humano
tão protótipo na escala do humano
pensaste tanto sobre ser
e mal aprendeste a falar.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

o quanto um ser humano pode aguentar
se perguntava
olhando os jeans rasgados nas pontas
na barra do chão
chão imundo

o quanto um ser humano pode aguentar
das pontas dos pés dos sapatos sem sola
nos chutes do mundo

o quanto um ser humano pode aguentar
do silêncio
do apertado
guardado embotado
por fim
empedrado

o quanto um ser humano pode aguentar
da máquina do humano em demasia
da fuga
da sabedoria
da falta do amor
da histeria
do peso dos outros de si
do se tornar

o quanto um ser humano pode aguentar
se perguntava


um ser humano aguenta
até onde vai o perguntar

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

tenho em mim
todos os sentidos do mundo
todos os sonhos
não
as vozes
não
o amor
tenho em mim toda a luta do mundo

pena é ter
esse projeto
despegado assim da coisa vivida
potência projetada no sonhar
no ouvir
no amar

sempre tocando
nas pontas dos dedos

O pensamento

sim
a ideia somente
chego ser quase transparente
de tanto refletir
transparecer
atravessar

pequenas formas
surgindo
todos os dias
desesperadas formas
ansiando por construção
sentido
projeção
grudam assim na mente
me anseiam solidão

mas eu grito
eu também humano espremido
tenho água que sai assim
dos meus poros dos meus olhos
quando demasiadas as formas
exigem de mim

pequeno
canto ali
eu grito
anseio realização
pois que vivo
e não em vão

domingo, 24 de novembro de 2013

morte
não é dor
corte
possibilidade
nem depois.
fim
somente

sorte
um vento a toa
numa esquina
uma árvore balança
pode ser que sopre em mim

pele
camada as vezes fina
as vezes grossa
tão sem razão
quando algo afiado
corta a pele
sai o mais bonito dos tons
ele escorre ali

a vida sempre cheia
de possibilidades
tão profunda
tão completa
tão intocada
pra sorte
a dor
a morte
encontrar

a vida é pele
as vezes fina
as vezes funda
que perfurada
mostra o mais bonito dos tons
essa esquina onde as vezes
não sopra também o vento da sorte
e se tem um pensamento
de tampar a possibilidade
com o silêncio da morte.
Meu eu dividido

parte esférico
aceito
difundido
acomodado noutro ser

parte linear
marginalizado
inacabado
perseguido pela negação

Tenho vivido meus dias
como quem cava na direção
procurando passagem
que sobre da divisão

Se aceito se entrega
meu eu construção
caminho
conforto
enterra solidão

Negado desliza
interior do chão
ao limbo
ao peso
acúmulo do não

Quem sou eu passando
um eu suspensão
Quando a pedra
o sedimento

se o instante
o momento

sai da nuvem
a chuva

do silêncio
muda

na estrada
a curva

pela água
a corrente

estás no mar
o poente

da árvore
 a sombra

se cansas da luz
 a penumbra

sê no corpo
movimento

sê na mente
pensamento

faz da viagem
o caminho

para os olhos
a visão

das cores
imaginação

na folha
a letra

à palavra
o sentido

na loucura
exatidão

da melodia
canção

do olhar
a direção

tua alma
sem divisão
nasceu da mesma
que busco em vão.

sábado, 23 de novembro de 2013

doce
suave
no mundo
as manhãs
as noites
a luz
a falta dela.
o silêncio
o singelo
o alcance
o sorriso.
em mim
a leveza do mundo
também.
nas camadas,
um visco intocado
um chão
pra se abrir
emergir
a flor.
resgata a inocência
o acordar o medo  a excitação
afasta a dúvida de cair a cada passo do sentir.
dividir
o necessário pra agir sem alarde
o pouco pra flutuar
por cima do caos.
mas mostra me a doçura
de dar se parte
sem o faltar
como um membro arrancado dali.
guia me ao incerto
a um salto
nos espaços e tempos
de navegar no eterno
que duram
sem ter se em conta.
e nunca tocar
o todo
de si
do outro.
viver ali todas as vidas
que o mundo compactou
que tanto acreditou
ser só.
só de ida
sem medo da partida
do incerto
da ideia
do mito
universo.
contemplar a superfície
reconstruir a palavra
perdida
esquecida
temida
inconcreta
a mar.
o calor nas ruas
a vida escorrendo
nua
crua
sobre
mim
homens gritando
crianças chorando
mulheres passando
ninguém
deus
morte
cirurgias
o corte
música
sorte
ninguém
casa
vazia
sexo
prazer
dor
cor
ninguém
o beijo
o mal
a cura
o mundo
o abismo
o profundo
sons
ninguém
dança
a vida
futuro
o amor
o escuro
ninguém


mundo redondo
circular
tempo que percorre a superfície
sem se importar
carrega empurra
avisa
anula
leva
derrete
paralisa
se esquece
bebe
todo o chorume que escorre dos dias
no meio ninguém
vazio
tempo
tenta
força.
permaneço
no meio
fujo do tempo
receio
sem nada
tocar


ninguém

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

And I have you

like a song

you're playing in my

in my body

in my

in my mind


in every will of movement
I'm leading you
at least I think I do

mas sou uma pergunta
vou da minha face à sua
volto como quem flutua
no limbo da incerteza
a vida faz sons
que fazem tons
lembrarem você

é
tudo sem querer,
eu sei
é que estou sem fim
(onde estarás fim de mim)
no limbo do tempo
flutuo na inconstante
negação do movimento

I wanna leave all the surface behind me

lead me verity

lead me real nature

wanna touch the material

because this song
this idea

is messing up my
my so strong stand
stand- in -a- life-could-be


terça-feira, 19 de novembro de 2013

Face
que figura
no ar
no crepúsculo
na rua
me ensine solidão

Edifiquei-me um prédio de gravetos
toda força
era senão ilusão

Sopraram-me assim de repente
meu prédio foi ao chão
quem sou eu desmontada
muda
de voz em vão

de mim a mim filha da natureza
entrego a face destronada
todo meu manto proteção
despida perante o mundo
me ensine solidão

domingo, 17 de novembro de 2013

não sou
árvore velha
que o vento bate
envergando de um lado
a outro.
quando a brisa me toca
permaneço ou quebro.
sou planta nova
de tronco rígido
ainda respiro da terra mãe.
muito sol vai queimar-me a epiderme
alimentar minha seiva despreparada.

ora quebro
ora permaneço
não me dobro ao mundo.

da última tempestade
só uns poucos membros
que ainda chamo de meus
são cinzas de uma morte
e folhas de uma vida
são obras do tempo.
aos poucos
a terra
o ar
o sol
adubo dos Homens
faz brotar nesse tronco
novos ramos.
gasto minha sombra
esperando o tempo
de novos ventos
derrubando as cascas
arando a terra
tornando-me sábia.

sábado, 16 de novembro de 2013

Tenho direito ao urro
pois que se não tenho reivindico
então,
urro
há um animal em mim
com espinhos nos pés
caminha devagar
dá-lhe assim a impressão de não se importar
por dentro urra
de dor
de raiva
a vida nada tem sido do que os espinhos em suas patas
esse mundo cruel feito de gases e sujeitos
esse mundo sem deus
com tantos deuses
essa vida bestial
como é irônica
podia ter nascido um pássaro
com asas grandes
elegantes
se houvesse dor
voar no céu
chorar longe
com maestria
longe de toda gravidade
mas nasceu bicho da terra
caminha torto
sem beleza
sem delicadeza
tanto espinho já cravado na pele
nem se lembra mais por qual urrar
mais urra
pela noite afora
assusta quem passa
inspira a caça dos Homens que não entendem sua dor
e a própria existência só causa à natureza mais desprezo
sua vida circular não teve um começo,
que consolo possa pensar:
o erro ali começou
já nasceu animal sem amor
e cada espinho só faz piorar
sua estranheza
pobre animal
sai-me do peito as vezes
dorme no colo
chora e urra até perder os sentidos
e depois dorme
penso que nem ali encontra a paz
pobre criatura!
marginal dos animais
ainda não achou seu lugar
injusta geometria da natureza
A vida aqui
penumbra
silêncio
insetos na parede
um motor sempre a girar

a vida aqui
é calma
é luz
sombra
o vento a soprar

a vida aqui
coexiste
na existência diminuta
grandiosa
das pequenas coisas

a vida aqui
faz a máquina funcionar
o choro das horas
a pausa
diafragma a relaxar

a vida aqui
segue
mesmo que não se queira
mesmo na beira
a margem de todo mar

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Pareciam pedaços de coisa vivas, ali afastados
não ousava olhá-los
e se pudesse ter pensado e no instante seguinte
vê-los desaparecendo
seria um começo
vê-los ali no entanto
causou-me certa comoção
não deveria um ser humano desperdiçar
tanta matéria morta reunida pro melhor
 a ideia foi ali
amadurecendo
no canto da mente
sem muita pretensão
comecei a olhá-los
pobre pedaço de ideias
que culpa tinha afinal
pareciam dizer
nos mantenha
nada fizemos
era verdade
não eram ramificações
de nada irrealizado
o irrealizado, é, alguma coisa?
resolvi
então
trata-los com o desprezo que mereciam
e mantê-los
sentia-me quase feliz de ter uma frieza tão miserável
talvez essa seja
no fim das contas
minha ideia de realização
roubei-lhe os presentes sem a metafísica do gesto

Este prefiro que morra.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

não há música que meus ouvidos consigam entender 
comprimiram o tempo
já não sei distinguir
meu eu
presente futuro passado
uma cópia fiel
repetindo se inutilmente
cometendo
os mesmos erros

escrevo esses meus
poucos
falhos
pobres versos
quem pensam que são
filhos cuspidos sem emoção

universo dos tolos
suas pequenas recompensas
todos os dias
guardar consigo
o fruto do medo
serem
sozinhos
pais da inexistente humildade
nunca revelada

Perdoe me tempo
eu tenho um ritmo assim lento
não o do mundo
fico nos cantos
vejo passando
passando
passando
vertigem

Cada pequena dose diária
eu tomo amarga
um presente
aceita o destino
segue
em frente?


Por que ossos
por que pele
tão fraca
caindo
estou só

Quando usei essas mãos
pra cavar meu caminho
não sabia eu
que o construía sozinho

O que tenho pra mim
o que tenho comigo
essa pele velha
derretendo
ruindo

Escapando de mim
se vai aos poucos
meu sopro
segurava-me do fosso

O que fazer
ossos pele
se sair
qualquer brisa a toa
me leva
lugares estranhos
me fixar

Devo dizer
agora
adeus aos velhos amigos
pele
ossos
meus bons abrigos

Vou fazer-me fibra de vidro
vou soprar com o vento
vou dormir ao relento
não se-me-eu por um momento
experimentar o gosto de não apoios
paredes de cimento
Vi a fresta fui entrando
desculpe a intrusão
venho descalça e polida
lapidada,
nada nas mãos

Desculpe assim a chegada
assim sem ocasião
não sobrou-me mais nada
a quem pedir perdão
por isso
alma te peço
um pouco
de  atenção

Me perdi alma minha
num caminho em vão
deixei pra traz as linhas
que amarram-me o coração

Orei chorei acreditei
dei-te paredes de solidão
deixei que vivesse
sozinha e calada
no limbo da vastidão

Alma minha me perdoe
fale ao meu coração
corro esquina por esquina
procurando solução

Dei-o embora vida afora
o procuro
tudo em vão

Alma minha
só, sobraste
a quem pedir compaixão

Busca tu
te imploro
chama por mim
seja uma canção

Talvez te ouça meu velho amigo
talvez volte meu coração

Me perdoa sei que é tarde
alma minha
perdão
deixei a ti e a teu filho
vagando no escuro
cavando no chão

Do pouco que vivi
alma minha
muito vendi
ao pó
ao lixo
ao poço
ao raso
de vocês me perdi

Todo o resto
de nada vale
não me viram
como te vi
como choravas
quando parti
todo instante
que não vivi
meu eu que roubavas de ti

Me deixe então
alma minha
um canto só
bem aqui
aos poucos dou-te
o que lhe devo
aos poucos deixo
lugar em mim

Quem sabe o preço
dos solavancos
não torne um canto
que me esqueci
quem sabe o canto
traga de volta
um velho amigo que me evadi
meu coração
por onde anda
contando o tempo
que não vivi.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Tempo
curto
longo
extenso
vão.
corra
fuja
exista
morra
no tempo
tempo
meu.
tempo
perdido
fazerte
amigo
companheiro
dême a mão
tempo
conselheiro
dême calma
tempo
espírito seu.
abra
volte
faça

cubra
tudo
tempo.
permita
falar
sem que conte
tempo
contar
sem que fale
no tempo seu.
fracasso
de tempo
vivido
pedaço
de vida
velha

no tempo.
cuspindo
versos
ganhando
tempo
em tão pouco
tempo
destrua
tempo.
tempo
de ser
projeto
do tempo
também
me abra
no tempo
dême
ao vento
leveme
a tempo
de não verme
guardada
ostra
fechada
no tempo.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Eu poderia ter sido facilmente
feita num pote de barro
dada ao mundo como um presente

Não se faz do torto dádiva

Coube a este corpo suportar
que mal fez
em só,
sustentar
tanta contorção

Todos os dias eu recolho o que sobra

Eu corpo seu
manifesto o desejo puro e simples de ser livre
livre-me então tu que vieste de algum caminho tortuoso por aí
quero a paz da solidão
de que vale se arrastar
existindo no vão

Tu alma torta
pervertida num culto a si
há de habitar

O pó
das esquinas
das ruas vazias
tu há de encontrar numa poça suja qualquer
teu espelho ilusão

Deixo aqui manifesto
qualquer tempo
relapso
fujo eu pra paz da terra
que acolhe sem perguntar
que finge gostar
do que apodrece a abraçar

Macia
muda
minha

Da terra a fuga ao teu abraço forte
teu abraço quase morte

sábado, 9 de novembro de 2013

Ela não merece lavandas em sua sala
e a luz invadindo de manhã
dando luz à graça de se ter o bucólico ali na vista

Ela no entanto é como os outros
nasce cria-se diz coisas estúpidas, cria bebês e morre

A única coisa de belo, ali
são as lavandas

uma outra tem um ar assim de mistério
e um cabelo quase sol
mas se dá fácil demais
alguém deveria rasga-la e dizer ao mundo
é vazio seu segredo

a única coisa de belo ali
é o mistério

as ruas estão cheias
de homens mulheres crianças e velhos
carregando o que não merecem
sendo estúpidos no propósito de humilharem,
um dom
uma cor
uma história

tantos sacos de carne ossos e água
respirando
e só,
esperando morrer
sem querer ser

esses são bons

mas poluem o mundo
os falsos brios
o conjunto repetido e decorado
de frases amarrando um discurso
enganando mais tolos
e colocando lavandas na sala de estar
balançando os cabelos no ar
fingindo mistério

o diabo é não revelar

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

paredes
tão transparentes
tão condescendentes
caíram
e caem
todos os dias
derretem no etéreo do banal
enquanto derretem
deixam restos
água que escorre do olho que um dia foi

essas paredes transparentes
tão bonitas,
eu sei
tão confortáveis
nunca serão
o que escondem
o que tão desesperadamente tentam mostrar
todos queremos a mesma coisa
gritando ao contrário usando a covardia de negar
de não buscar
de rir
no lugar

parei de acreditar?
parei de acreditar
o que os olhos muito veem a alma não sente
a superfície revelou
a nudez ali
exposta
sem graça
mostrando o que não é
mas o verdadeiro corpo
o escopo

não está ali

tua alma corre em desespero de fuga
com cartazes que só dizem o que todos já disseram, antes
querendo ser o que não se é
enquanto
morre,
tua alma
mingua,
tua alma
um filhote de luz de vento de fuga
se alimentando de algo que não tem gosto
escondida ali

Em uma areia movediça
dou meus passos
em direção
em direção
não há

Hei de viver no limbo
a eterna
egoísta
vedada
perspectiva
há os que caminham
e os que afundam
todos passam

Estou condenada ao eterno andar do tempo
de um tempo enclausurado

Por quanto tempo
desde que meus pulmões gritaram pela primeira vez
por quanto tempo uma irrealização
tudo que é dito mistura-se ao automático responder
devo?

Ouço a noite
a torneira que pinga no tanque
soa como uma criança em triciclos travados
as rodas presas
a engrenagem pinga pinga enguiça chora fala
irrealização
parou
passou como essa pueril tentativa
tentar

A louça as roupas
e pessoas ali
tudo se acumula
com o peso do pedido

Irrealização

domingo, 3 de novembro de 2013

Como aceitar
a inflação de minha vida
o mercado dos meus sonhos
se põe alto demais pra mim

Cada vez mais no meu canto
deixando então que tudo seja movimento
que vida um momento
olhe pra mim
a inflação de minha vida

Nasci com mãos e pés e uma cabeça
e só
que me levassem
que tratassem
de bastar

Mas a inflação de minha vida
sempre mais crescida
já comeu-me mãos pés mente
não tenho mais o que dar
o que me resta
o suficiente pra navegar
fora de mim

Blue as the ocean
White as death
the world remembers to take
Always forget to give

espero então na saída
aos caminhantes
não parecer perdida

na inflação de minha vida

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Alway running Always running
once I told myself: that’s what u’re
so I followed this idea
until my mind can't even handle the idea of been

Estou afundando em mares que nem sabia
dentro de mim
eu que não sei nadar
descobri-me rasa
num corpo profundo

Don’t intended to stay on the surfasse of myself
I swear,
Always thought have been something something

Mas estou parada
tocando com as pontas dos dedos
das mãos
nas pontas dos pés fugindo

But the weather already changed
i’m already homeless
homeless soul
so mine

I guess I'll just take a ride
with some drunk driver
on some empty road
my body my body
can’t stand been sober
been in this stand by
he threw away my soul                

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Under the water
I must swim or i’ll just drown myself

so much easier
so calm
peaceful
White
and
soundless

This is me
fighting hard against my nature
feeling little forgotten
I probably missed something back there

which day was the day?
what did happen there?
did i say something?
did i do something sob bad, is that why i’ve been punished?
certainly i blew the wrong wind
certainly i played the wrong scene
certainly was another language
that i thought i knew to speak

i was a voyeur, a supporting  actor
waiting for my scene
but i wasn’t called

Wish i could take the lines and turn in one
sew them up
and throw it away
burn my memory
burn my eyes

Live with no points of ache of weakness
until i die


sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Ah, é uma pena
as vezes assusta-se de se assustar
que perigo o choque da janela aberta a primeira vez
a força centrífuga do escape das mãos...que sempre apertaram

Estão me dizendo, que
é uma pena,
mas não vale a pena,
nem cabe como rima de uma poema,

É pena, que escrevo também sobre as coisas idas
fugidas
fodidas

Como dizia
a janela leva também o que não se espera
e dum salto muito alto ao nunca vivido
pode ir-se embora a doçura toda
ali escondida
no meio de tanta dor

Ah, mas certas suturas não escolher o que suturar
a erva arrancada também leva a flor

Mas é uma pena

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

What a amazing mess up in the whole senses of life
what a beautiful and sad treasure that we got from this chaos
that we need to have

estou sozinha
com sede
alguém pressiona meu estômago entre os rins e os pulmões
se não fizer um bloco enfeitado de todo esse caos
eu vou
eu sei que facilmente transparente, fina
posso ser o que o leva girando e girando e fazendo sua dança universal

vou amarrar
firme
meus pés no chão, um bloco em mãos
pro vento oferece
e vou lutar
que as linhas que costuram daqui pra la
sobrevivam a minha resistência

I clame in the world
cause in fact I’m still here
so let me pray
let me sing my song
let me whisper
in silence my already dead dream
let me run away from the sin
from the noises and smells of the human being


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Manifesto aqui
manifesto-me aqui
aqui?

Sou humano

Todos os dias
sinto essa pele
mole
humana
vazar vida afora
derreter no tempo

Sou humano com direito ao grito por isso grito
Sou humano

Todo sangue que escorre
que escorre daquele pedaço de carne ali
ali na pia que espera
derreter também
o sangue ali me faz
entorpecer de sabê-lo
morte
o que importa
um perfeito pedaço de matéria podre ali
e o sangue escorre
pinga
pinga
e na pia
a água escorre
minha vida passa

Mas manifesto
humano

Engulo da poeira grossa
a vida
não é vida
vivo do aço
sobre o aço rasgo espaço

Humano
tocando na ferrugem do chão duro dos dias
que jaz
não humano
inanimado
respirando por inércia

Humano me
meu humano pulmão
mente coração

não consegue contentar-se
porém
com tanta não vida

Sou o poema pílula dos dias
existo corroendo-me das próprias palavras
pra que existam a mais
sobrevivam aos meus pulmões
ao humano

Poema filho da carne da pia
do cão das ruas
do velho a morrer
da poeira dos dias
do fio de vida
do que nasce forte

poema
apelo
peso do tempo

manifesto
sou humano
toda a ferragem produz uma luta
da luta um poema
corroendo as palavras

humano
não renuncia a última pele humana
humano não renuncia ao poema
só deixa a pele
olhos pulmões humanos
arruinar-se na terra

mas o poema fica
mais um dia acaba


domingo, 20 de outubro de 2013

Isso é real
e não posso ver
talvez possa
você

Pegas
vês
todos esses pontos
ora apagados
ora tão, só pra ti
tão iluminados

São as razões distantes
pra que existas todo os dias
pra que a mediocridade não feche o círculo que tanto persegue

São essas
são elas
seus planetas
seus universos
seus tesouros

ar dos que seguem com a vida sem contentar-se com ela, só

e só é que vão

nota, você
que sempre o horizonte guarda
longe
as linhas

ah, mas então
qual desespero?

Eu sei,
é que tentas tu juntá-las todas
fazer uma pele assim em ti
sei que tentas todos os dias
é a sina dos sonhadores

Mas tal empreitada é somente caminho
(como o peregrino que sabe que o fim mesmo é o caminhar)
para que tenhas tu ilusões
a que segurar

A verdade
é que nunca vais
atar as linhas
tocar os pontos
eles são teu passado
teu futuro
teus amores
tuas pessoas
que nem tuas são, eis das ilusões, a maior

Mas não,
não vás...deixando teus vagalumes para trás
o segredo é que aceites
tais estrelas distantes
que viste-as uma a uma
torne-as

Seus instantes
seus amantes

Isso é real 
Me mó ri a
Assim se separa A memória
como então?

Sabes que morremos todos os dias
todos os dias que algum mecanismo
ali
preparado pra mantê-lo
joga ao etéreo
tua peça
teu passado
a ti

Mas sabes que vives
vivo.

Renascemos
pois do instante
esse lutador
utópico dos sonhos
traz uma bandeira rasgada
tua memória reformada

E VIVES

Não como antes, no entanto
mas vives de novo
como outro que nem reconheces

É a lei da mínima sanidade
unidade essa falsa ilusão
pois não aguentamos nós essa percepção
de tantas vidas
vividas
levadas
nascidas

Há esses deuses
(que me perdoem os céticos)
há esses deuses
Tempo, Memória, Percepção
fazendo sua dança
mantendo essa mentira
uma uni-ilusão
E assim continuas
continuo.

porque do veneno
o extrato do antídoto
a solução

Brinca o tempo a tua memória
muda tua percepção

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Hoje é dia 18
e logo mais outro fim
outra morte
outra cinza em mim
e eu ainda procurando

Todo dia
no reflexo em qualquer canto
busco a marca
do tempo ali
mas o tempo é tão sutil

Não queria ser tão ambição
tanta preocupação
que talvez a graça é respirar
dia a pós dia
mesmo que o ar não seja do melhor

Mas ah
eu sou assim tanto quero
que investigo uma linha ali que tenha surgido dos desenhos feitos no tempo

Há que reinventei o senhor do laço eterno
puxando-o de ponta a ponta
quero a música durando
devagar e devagar
quero o tempo pulando rua
logo quero chegar


Eu te recrio ó chronos
que te recriando
só, reparo
no que é pra fim
no que ainda não fiz
no que fiz enfim
com o que tenta levar
todo dia de mim.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Nada pode
me curar

Eu os vejo
caindo
de todos e por todos
em todos os lados que olho
dão as mãos
e também os olhos
saem do chão

Quem sou eu
presa ao meu térreo coração
nada sinto que me mova, na eterna direção
Meu foco, antes terno
distribuído pelo vento
voltou-se todo a mim
preso ao pensamento


Só me vejo

me vejo e só

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Quando nasci
deixei
logo
(quase posso ver)
uma ponta ali.
não sabia eu então
que por isso seria
que fosse eu tão longe
quanto a linha esticaria.
quando a gente cresce
esquece desse fio
vai pelo mundo
dando volta
cruzando caminho
segurando a linha, senil.


Ela existe
pra isso mesmo
de um dia parar no meio
do próprio labirinto
traçar o caminho de volta à ponta
já tão gasta
humilde e seca no tempo.
a gente segue sem ela
porque ela é a gente, que tenta ser
sem se poder ser, a gente, no mesmo lugar, ao mesmo tempo.
por isso tanta linha puxada
tanta dúvida tanto medo
é que a gente dá nó
no próprio segredo.
que se arremata voltando à ponta
a essência da nossa (v)ida.

você deve me conhecer como um caleidoscópio
de apenas uma
face identidade

ela sê
silêncio
se chama

vai encontrar
por muito do que mostra/vem o tempo meu
pêndulo esse de tal face minha
vem
volta
não deixes

vai encobrir tanta face
tentar existir sozinha

deve ser sobrevivida
e submetida
à resignação
em ti

revolta te
teu silencioso

Silêncio prisma meu
sabe existir e nada mais.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Você não vê
não não vê você
você fala
e apenas projeta
gasta tua energia mundo afora
não vês que o mundo é um turbilhão
ah o mundo é cheio de vozes e seu ecos
não há verdade que espera para ser dita
o mundo anseia pelo silêncio
e não paras de falar
me pedes que fale
você os outros até os animais
todos gritando mais alto a sua versão
sua explicação
do que todos sabemos
escondemos
pára um instante
natureza
concreto
da imundície à imensidão
não vês? Não, dessa vez tua cegueira é real
não há imagem esta que substituía isso que só tu vês
que vejo eu
que vê o resto do mundo
a paz do silêncio
Não quero ver
não mostrem
o que essas mãos escrevem
o que esses olhos veem
esse todo pensa
teria lugar nesse mundo tão brilhante um enjeitado como eu
quem quem seria afinal, o louco
a deixar-me entrar
devo lhe avisar
com facas e farpas que não sou de sutileza,
feche a porta
só eu sei desses olhos
dessa cara assim desajeitada
desse ser invisível
dessa incompreensão
só eu sei o que é
guardar minhas armas de mim
feche a porta antes que entre, antes que eu saia
deixem-me existir na bruma diária,
sou a bruma, o instante que não existiu
aquilo que quase vira solidão
sou esse espelho que mostra algo que não sou
já tenho dever
juntar, para um fim, talvez
esse eu que foge de mim.

domingo, 25 de agosto de 2013

Solidão
sinto, agarrar-se aos meus ossos
minha pele
corpo meu
porque és só também

Já sei, não é ela  passagem
dela, uma mensagem
a sabedoria de uma viagem

Solidão é ser em mim
ser que sente compaixão
de mansinho
janelas abertas
sei dela
murmurando
pedindo
um canto pra ficar

Já não há opção
retornar
de onde veio
saber o que não sabia
o lugar é a equação equilibrada de todos os dias
ser, estar

Sem chorar
sem nem lamentar
de todos os caminhos
sempre lá
conselheira
solidão
vem falar


Enche o peito mais uma vez
malas feitas
caminhar.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Eu costumava saber cada parte do meu corpo
e onde situava
a vida que levava

Eu costumava contar nos dedos
os meus
os que perdi
e pra onde foram, todos eles
agora, pra onde foram todos eles?

Essa eterna mania de sentir em cada parte da medula óssea
os segundos adiante e o que não voltam mais
ah se todos soubessem
como eu sei eu sinto
que todas as vidas vivem nessa que achamos uma

E se vão

O que fica então
além das pequeninas
poeiras da memória
antiga capacidade de considerar eterno

Onde vive realmente o cidadão mundo
se não no tempo
no segundo
de existir
depois
não mais ali

Onde estão os lugares tão conformados
da dor
do gostar
do andar
do morrer

Será que quando me for
vou saber de onde?

A resposta é essa que
de tanto tentar juntar
pedaços
pessoas
lugares
laços
ficou o/no  etéreo da vida
algum lugar no cronos
perdida

E não escolhe
tu
eu
o mundo

Se ficas parado
te levam
Tão profundo
pro fundo
no fundo não saberás
quem o que te levou


Sabes sempre que foi
e que por pouco ficas
pediu tanto o mundo
nele inteiro,
agora,
habita.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Que fagulhas
que nada
que falta de figuras nesse dia

Chegou como uma fumaça que não se vê
respirou-se e ali ficou
e o silencio com ela
o silencio de existir porque só ele sabe quem és
e o que nunca dirás
por não haver como dizer

Os dias agora vêm como essa respiração terminal
silenciosos
sem pressa
aguardando o veredicto final
é isso então, viver?

Suponho que nos resta levar adiante
avante como nossas migalhas inventadas
imaginadas na falta do empirismo enferrujado
do amargo que se engole dose por dose todos os dias

As pessoas fazem anos
fazem nada vendo o tempo passar
e seguem-se os matrimônios
as danças
as partidas ritmadas pelo tic tac que é sempre um prelúdio

Prelúdio de viver no quase
amanhã
sempre
mas hoje estás aqui
ou estás La
e estás só

Mesmo que digas
aqui vive do meu lado pois meus olhos vêem
tocam minhas mãos
sinto a vida escorrer aqui

Mas estás sempre só
tua paz a falta dela
o fim do dia
vem pra ti e somente pra ti
que vives no fundo como
alguém que caiu  buraco  adentro e só ouve ecos
um fio de luz vê somente

Mesmo que navegues tu
no oceano do social
que se afogues tu
mil vezes em mares que não sabes nadar

Tu és assim
isso que percebes quando olhas
nas vagas do teu dia
no espelho sujo
tu és isso que vês
refletido
na tua própria poça
tua existência.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

A vida pode ser uma merda
dessas disformes
insólitas
essas merdas sem razão

O dinheiro acaba
o fôlego
o peito cansa
para
existe

As pessoas querem a atenção que não se dão,
por um momento
E a tua flor hão de pisar
porque invisível é a tua flor

Utopia
liberdade
dor
sonho
felicidade
amor

É tudo um bla bla bla sem fim
no fundo você está louco
por uma cerveja gelada
e nada de consciência


O dia que me permiti desistir até dormir.

sábado, 6 de julho de 2013

.

O mundo é um abismo tão estranho
escuro
felino
feroz

Quando você cai pode ver
tantas cores
são cores ali
todo esse preto farpado
é que de tão misturado
que é a vida

Isso de viver num eterno sim e não com ela
ainda há de ser o que nos mata no final
o que não nos dá
as luvas
os óculos
pés que corram por pedras


Quando acordei
eu vi toda a camada derretendo
por baixo da superfície líquida
fina
transparente
que descansa ali como se não soubesse do abismo na esquina próxima.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

.

Você fez
da mulher algo assim
que você não quis conhecer
criou teu próprio objeto de alienação
teu fetiche secreto
sagrado
intocado
você diz
e ainda uma vez mais vai dizer
quem entende as mulheres
a verdade é que você sabe
somos só mais um sexo
como outro sexo
como um anexo
da vida
como você
nós existimos
como você
talvez deixe de existir
mas a verdade é que você só se apega àquilo que cria
de própria autoria
hetero homo filia
você segue
com seu trunfo nas mãos
a superfície daquilo
que nunca vai conhecer
que nunca vai saber
tocar você

.

acordo
bebo meu café
forte, entre o doce e o aperto na boca
sorrio
a vida dança

que criatura estranha
é tão suave ser do tamanho
que se imagina ser
você deveria tentar

ser você
se livrar
só pra variar

a vida
ela é essa existência mesmo
hora finita
ora tão vasta
que nenhum limite
de deus
da consciência
das pessoas
explica,
basta.


existir é bestial
tão genial
não tenho vontade
de atribuir o dom
tão vago
tão raso,
ser normal

domingo, 23 de junho de 2013

E se todo esse
 langor
essa trilha cavada com dificuldade
de volta a (chamada) normalidade
temida (depressão)
e se fossem apenas perguntas

o que é inevitável sobre a vida
é que a vida é inevitável sem perguntas

à  uma mente
por mais rasa
sempre a percepção
levará a saber
que por traz dessa camada de intervalos
de momentos diários
um sentido tem que haver


as perguntas essenciais
são feitas silenciosamente
sabendo que não há respostas esperando
sabendo que sempre haverá espaço
pra mais perguntas
descansando na mente
A vida aos domingos
ahh a dolce vita aos domingos
ao fim dos domingos
quando a luz despede-se devagar no horizontes
com cores de vida forte,
enfraquecendo o dia no entanto
luzes de uma estrada
que sendo ela a própria vida
se vai
domingos são despedidas
são mortes que morremos
sabendo que virão, mesmo assim
como diria García
domingos são crônicas de uma morte anunciada.

sábado, 22 de junho de 2013

faça uma coisa hoje
agora mesmo
um trilho solto
louco
na sua mente
deixe-o correr
atrás
a frente
deixe andar
no tempo
sua vida
foi
voltou
tanto subiu desceu
sua vida, nesse trilho
você diria que mudou
isso vai te fazer bem
fazer pensar
que ser minúsculo sou
no entanto posso andar
pessoas deixei
estranhos falar
repara como é louco esse trem
na curva apitar
sua vida é assim
fora do que vê
no livro no filme na TV
sua vida é você
 esse trem
 dentro dele
sem espelho
sem parada
sem nunca saber
partida ou chegada
o tempo
ah
sempre enfim
um amigo racional
ele conta teus trilhos na forma da vida, dos dias, dos anos
das perdas
dos ganhos
mas ele,
diferente de tu
vê mais a frente
isso que vês igual
esse que nem vês mais
sabe ele,
diferente
vai da tua vida sem grandes comandantes
sem saltos no caminho
lá na frente te espera o tempo
pode ser que não sozinho.
sua inocência acaba
vai acabar por matar-me
nas próprias ferpas
nas minhas deixas
deixar pra traz

talvez eu esmague tudo que cheira
a inatingido
desavisado
não experimentado por aí
criança nobre em terra de velhos sacanas

queria ser essa criança também
e dar-te a mão dizendo que a vida ela tem razão
ela existe por você
pra você, a criança coração

agora não
tudo que consigo é pensar
essa maldita criança
ela é o anti-mundo
e cada segundo que penso
na inocência imbecil de todos os dias

rio amargamente
riso triste
vil
quente
riso rastro dos dias

domingo, 16 de junho de 2013

Eu canto porque dobram os sinos
cai a chuva
luta o dia
grita o silêncio
e estou longe

Eu canto porque a dor humana é preciso cantar
é a dor de não saber
é a dor
não ter
quando ter
que fazer

Canto que talvez meu canto um pouco me redima
de ter farpas dentes e garras
e de saber usá-las


Canto que de solidão o canto é feito
de saber ter só no peito
motivo pra cantar
Viver é tão curto
tão intervalo na luz de outro lugar
e eu aqui
porque
 longe daqueles
que chamo meus
testando as habilidades várias de existir

Viver é tão curto
tão intervalo na luz de outro lugar
que os meus nem meus são
e um dia se vão, talvez
vou ficar


Viver é tão curto
tão intervalo na luz de outro lugar
tão injusto
sem sentido
é um estranho estalido
no vazio da escuridão.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

A vida
é uma poça rasa
e você ainda se afoga
queria ter os olhos de uma criança
e ver na vida
ainda
aquilo que não tem
mais nos dias
e menos nas pessoas
e levar
e nem pensar
e só
eu, maior que o mundo, e o mundo pequeno assim
que algo ouvisse minhas preces
que eu, ainda as dissesse
parar de fumar
e que algum gosto sentisse
quando planejar
mas a vida se dá
e sempre se deu
sem nenhum atento
ao que dela se achar
a vida caminha soberba e absoluta
sobre os sonhos
obsoletos do mundo
e há quem seja sádico cínico iludido
e ame a vida, e de seus espinhos amigo
não vejo nada mais do que essa poça
pouca água
muita sede
num intervalo
curto demais pra não temer um fim
longo demais pra esperá-lo
sem nada de meu
sem nada de mim

terça-feira, 11 de junho de 2013

 sinto no ar
que corre no vento
que passa aqui
que já foi
levar a outro:
algo está por vir

Não sei se são
malas prontas
palavras não ditas
não sei se é a eterna mania de inacabar,
(ou acabar?)

Mas eu sei que é
sopra como a pedir
que se prepare
que se diga
adeus aos homens as armas as farpas
hora de partir

vida roda viva gira
de cores
de frio
de dissabores
uma borboleta passa
a vida,
nasce e morre como agora


um dia há de acabar
pra onde
que gosto
será o vento
soprar