terça-feira, 26 de fevereiro de 2013


Sempre
a comparação
levando a vida
tijolo
construção

Bom modo
organizar então
enquanto uns colocam
felizes
fotos
blocos
tiro,
anoto.

Horizonte
um tanto manchado
nos dias que passam
nada passa
continua

Recomeçar
não uma opção
carregar
puxar
mundo afora
o que sobrar.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

essa consciência


Você vê a vida em blocos
houve um tempo
que assim
então
isso
achei desorientação.

Hoje, não
quando tudo que se tem
são fragmentos
peças
fração
se olhar pra traz,
me perco
e pra frente?

Com pó nas mãos
parada
meio do caminho
seria então
algum redemoinho
que passou
e ficou

É só falar
procrastinar
o chamado sexo dos anjos
de nada
adiantar

Viver é ter consciência
da extrema conseqüência
de compartilhar
ou ter essa ilusão
viver também
é ter consciência
de se ter tanta gente
e ter tanta solidão.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013


Fiz tanto
e nada
porque tão cansada
mente perturbada
pausar de viver
Pular essa parte
fazer
arte
ver
resultado, o final

Antecipar é mortal,
de morte então
a gota dos dias,
um antecipa o outro
buscando consolo,
no que há de vir

Sem experimentação
ninguém experimenta ação
que não vai repetir
respirar é nascer toda golfada
de ar
pesada
camada inicial.

Vive-se mais do que se pensa
em cada sentença
nova vida
cada despedida
nova chegada
cada pessoa
uma enrascada
 coleção

Na casa de meu pai
há muitas moradas
na casa muita gente
todas sem pai
umas nas outras buscando
o que, então?

Cada pessoa
um universo
cada universo
seu modo
não há de repetir ou mudar
o que antes serviu de atrapalhar
na alteridade
o silêncio
segue
desvia do espinho
 colhe a flor,
teu caminho.



Tudo que somos
abertos
transparência
turvada
sincera água.

Tudo que somos
o que não sabemos
pra onde ir
o que fazer
a bagunça
dos nossos pais

Tudo que podemos
é nadar
tentar
não se afogar
mar
de gente
que nem sabe
nem sente

Somos o que podemos
ser
sobreviventes
de um dia
se nem ia o hoje
como será o amanhã

Imaginar é esquentar
uma mente frágil
é forçar naufrágio
é esquecer de viver
o que é, viver?


Curiosidade
de saber
se na vida
há só vida
ou verdade

Só tentamos uma vez
é um desperdício só
tentar achar o nó
e desfazer

A vida é pra viver
o que é viver
não sei apenas
viver
sem perguntar

Comédia de erros
quem dirige a peça
por acaso, interessa
se não ficar engraçado
de repente trágico, drama
estrago

Por certo alguém
tira proveito
não, eu
a despeito
de viver sobre alguém.
sempre se passa por cima
pra contar a própria história.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Somente pra amar


Só foi esse vento
que vem de não sei onde
entra na gente
e fica.

permitir,
afinal, quem não iria?
todos os nãos
da terra
e as barreiras
do céu,
soprando contra.
afinal, quem ouviria?

as vezes
ama-se demais
por falta de amor.
um ponto perdido,
poderia ser,
eu digo,
qualquer um
mas não é assim
que opera, a vida
hoje eu sei.

se tudo fosse
mais leve
mais fino
mais trivial
seria então,
tudo isso, normal.

tanta era a busca,
e tão brusca,
que nada, dos lados,
podia-se ver,
afinal, quem veria?

mas não poupa
o tempo,
aos singelos,
mesmo que sinceros:
era tanto
e tão
sozinhos,
assim foi.

na ânsia de um finalmente,
de um final,
de um como ser,
a dois.
assim foi.
dores cegas,
não enxergam
curas perdidas,
afinal, quem enxergaria?

quase tudo,
por certo
ao contrário
operou
e de silêncios
o desconforto não lidar,
foi-se, e ficou.

mas nada é assim,
e há de mostrar,
essa vida, a quem não soube olhar.
também não soube,
aprendi,
enxergar.

que dessas coisas vive o paradoxo
o forte pra durar
o frágil, qualquer sopro, desabar.
não se vive a imaginar,
algo assim de idealizar,
isso que vive aí,
somente está pra amar.