quinta-feira, 23 de maio de 2013


Em algum lugar
cruz espada
a oscilação
a subida
parei
fiquei

E agora onde pra onde ir?

Imagino que as pessoas
seguem como peixes
o cardume
o fluxo
dos dias
frouxos,
amarrando-os a propósitos vazios

são as pessoas
e seus olhos
e suas bocas
e suas mentes
e seu corpo todo
oco
sem alma

No meio
rosto coberto
aos montes
passam,
correndo
tropeçam, atropelam
derrubaram,
foram
sem olhar pra traz

São tantos os lados qual enxergar.

Parar
ficar
também é escolher
quem não se movimenta
a vida cobre
de poeira
velha
dos dias acabados

segunda-feira, 20 de maio de 2013


Carrego como uma velha
curvada
suas roupas
lavadas nos baldes
a vida nas costas

Cansada mas não ousa
nem pensar no que isso
pode
deveria significar
supõe que todos são assim
e Deus que olhe por todos

Pobre da velha que nem imagina
que deus é cego
o caos escolhe conforme seu dias vão
as vezes ele acorda de mau humor
e toma a velha mais um pouco

Como o burro que só vê a cenoura na frente
ela segue
eu sigo
seguimos nós
com a carga,
esperando ao menos o cheiro de quando
La na frente,
a cenoura apodrecendo
servirnos. 

sexta-feira, 17 de maio de 2013


Como se de súbito tivesse levado um susto
percebera que assim que seria
acumulava essas pequenas ternuras
nunca deixava pra trás
e todos eles
como eles podiam
meu deus ela se perguntava
ir andando na feira de almas e corações
e companhias
tudo se podia comprar na feira
e não se abalavam
agiam como o bom modo mandava e que nada denunciasse se nada saísse como o desejado
mas ela não sabia como comprar uma alma
como ter um coração
sem que batesse
ela carregava todos
e todos pesavam
mas não sabia negociar
e de todas suas ternuras inacabadas
acabaria por morrer de fome
pedindo esmola, alma coração
no fim da feira,
da vida,
poeira.

sábado, 11 de maio de 2013


deparei com esta estranheza
nasci
e tenho essas mãos assim que de certo me foram dadas
pra que fizesse algo, então o que
e esses pés que me levassem
então aonde

por vezes pode-se morrer de susto
com o simples acordar e ser o que é
e respirar
ah (a incerteza da continuidade)
ah (e continua-se  sendo por mais um segundo)
esse movimento incessante
é de um trabalho grandioso
e de uma atenção também
as vezes pode-se esquecer de respirar

E dessa estranheza toda
só se parte a certeza de que é algo
assim dentro de todo esse saco mole essa pele acumulando
querendo se olhar
sufocando todos os dias

Tem dias que se desperta assim mesmo
como uma revolta de quem vive adormecido
e ludibriado
por esse corpo
por esses olhos
que fazem acomodar
continuando o eterno tecer desses fios incessante trabalho

Lembrar, então
 respirar.

sexta-feira, 10 de maio de 2013


Você pode levar
pra qualquer canto
e me levar
não me importo
eu já nem sinto

Todo tempo é
espaço
infinito
infinito de ver
mas a vida
um dia vou morrer

Sou jovem
já me canso
do esforço
de seguir a linha
completa
falha

Pra onde vão as pessoas
que fizeram
o percurso até o final
o que é feito delas
e como são

As vezes me deparo
com uma grande interrogação
como conseguem
tão simplesmente
ir pra frente
movendo-se
em vão

sábado, 4 de maio de 2013


Não tenho a isso que dar nome
porque iria
sou assim
de calma
e pequenez
e vou vivendo
bem ou mal

Não me apressem
nenhum
ninguém
assim sou
gosto de olhar um copo e ver como uma gota escorrega devagar
indo ao fundo
e vou vivendo
bem ou mal

Não me peçam
quando quero
dou
não quando tenho
as vezes gosto de ir e guardar
e vou vivendo
bem ou mal

Eu vivo desse pó
que todos deixam
atrás
de si
da cadeira sentada
da estrada
eu gosto
de jogar
pra cima o pó

E ver o que ele faz no ar

E assim vou vivendo
bem ou mal