domingo, 23 de junho de 2013

E se todo esse
 langor
essa trilha cavada com dificuldade
de volta a (chamada) normalidade
temida (depressão)
e se fossem apenas perguntas

o que é inevitável sobre a vida
é que a vida é inevitável sem perguntas

à  uma mente
por mais rasa
sempre a percepção
levará a saber
que por traz dessa camada de intervalos
de momentos diários
um sentido tem que haver


as perguntas essenciais
são feitas silenciosamente
sabendo que não há respostas esperando
sabendo que sempre haverá espaço
pra mais perguntas
descansando na mente
A vida aos domingos
ahh a dolce vita aos domingos
ao fim dos domingos
quando a luz despede-se devagar no horizontes
com cores de vida forte,
enfraquecendo o dia no entanto
luzes de uma estrada
que sendo ela a própria vida
se vai
domingos são despedidas
são mortes que morremos
sabendo que virão, mesmo assim
como diria García
domingos são crônicas de uma morte anunciada.

sábado, 22 de junho de 2013

faça uma coisa hoje
agora mesmo
um trilho solto
louco
na sua mente
deixe-o correr
atrás
a frente
deixe andar
no tempo
sua vida
foi
voltou
tanto subiu desceu
sua vida, nesse trilho
você diria que mudou
isso vai te fazer bem
fazer pensar
que ser minúsculo sou
no entanto posso andar
pessoas deixei
estranhos falar
repara como é louco esse trem
na curva apitar
sua vida é assim
fora do que vê
no livro no filme na TV
sua vida é você
 esse trem
 dentro dele
sem espelho
sem parada
sem nunca saber
partida ou chegada
o tempo
ah
sempre enfim
um amigo racional
ele conta teus trilhos na forma da vida, dos dias, dos anos
das perdas
dos ganhos
mas ele,
diferente de tu
vê mais a frente
isso que vês igual
esse que nem vês mais
sabe ele,
diferente
vai da tua vida sem grandes comandantes
sem saltos no caminho
lá na frente te espera o tempo
pode ser que não sozinho.
sua inocência acaba
vai acabar por matar-me
nas próprias ferpas
nas minhas deixas
deixar pra traz

talvez eu esmague tudo que cheira
a inatingido
desavisado
não experimentado por aí
criança nobre em terra de velhos sacanas

queria ser essa criança também
e dar-te a mão dizendo que a vida ela tem razão
ela existe por você
pra você, a criança coração

agora não
tudo que consigo é pensar
essa maldita criança
ela é o anti-mundo
e cada segundo que penso
na inocência imbecil de todos os dias

rio amargamente
riso triste
vil
quente
riso rastro dos dias

domingo, 16 de junho de 2013

Eu canto porque dobram os sinos
cai a chuva
luta o dia
grita o silêncio
e estou longe

Eu canto porque a dor humana é preciso cantar
é a dor de não saber
é a dor
não ter
quando ter
que fazer

Canto que talvez meu canto um pouco me redima
de ter farpas dentes e garras
e de saber usá-las


Canto que de solidão o canto é feito
de saber ter só no peito
motivo pra cantar
Viver é tão curto
tão intervalo na luz de outro lugar
e eu aqui
porque
 longe daqueles
que chamo meus
testando as habilidades várias de existir

Viver é tão curto
tão intervalo na luz de outro lugar
que os meus nem meus são
e um dia se vão, talvez
vou ficar


Viver é tão curto
tão intervalo na luz de outro lugar
tão injusto
sem sentido
é um estranho estalido
no vazio da escuridão.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

A vida
é uma poça rasa
e você ainda se afoga
queria ter os olhos de uma criança
e ver na vida
ainda
aquilo que não tem
mais nos dias
e menos nas pessoas
e levar
e nem pensar
e só
eu, maior que o mundo, e o mundo pequeno assim
que algo ouvisse minhas preces
que eu, ainda as dissesse
parar de fumar
e que algum gosto sentisse
quando planejar
mas a vida se dá
e sempre se deu
sem nenhum atento
ao que dela se achar
a vida caminha soberba e absoluta
sobre os sonhos
obsoletos do mundo
e há quem seja sádico cínico iludido
e ame a vida, e de seus espinhos amigo
não vejo nada mais do que essa poça
pouca água
muita sede
num intervalo
curto demais pra não temer um fim
longo demais pra esperá-lo
sem nada de meu
sem nada de mim

terça-feira, 11 de junho de 2013

 sinto no ar
que corre no vento
que passa aqui
que já foi
levar a outro:
algo está por vir

Não sei se são
malas prontas
palavras não ditas
não sei se é a eterna mania de inacabar,
(ou acabar?)

Mas eu sei que é
sopra como a pedir
que se prepare
que se diga
adeus aos homens as armas as farpas
hora de partir

vida roda viva gira
de cores
de frio
de dissabores
uma borboleta passa
a vida,
nasce e morre como agora


um dia há de acabar
pra onde
que gosto
será o vento
soprar
Viver é assim
como a arte de sentir:
saudade

todo dia
um pedaço
do novo e do velho
que foi:
não volta

de quem seja
fragmento
canção
pedaço jogado no vento
uma parte busca:
todo o resto que longe


temos dias que de nosso
só a força
de juntar ainda que de utopias
pequenos versos de atrás
pequenos sonhos que demais,
poeira varrida

terça-feira, 4 de junho de 2013

Você vê
veja você
as vezes eu tinha dessa sede
eu sugava
e sugava as pessoas
mas de um tanto
as vezes não pensava
serem elas
poço
do meu descanso
mas de nada restava
todas elas
secas
sem nada
sugadas
e eu ainda chorava
de nada vale
os outros
pessoas fadadas

Fadadas
a que
perguntei ao meu copo de vinho
a entrar no seu caminho
e perderem o fluído
o sangue de viver
cego e egoísta
arranca tudo que avista
acha nada haver,
pra ficar manter


Tenho sede
Vou arrancar meus olhos
disse
vou arrancá-los

É que não agüento mais ver
isso que vê o mundo
nem por um segundo
renascer

Vou arrancar minhas mãos
vou arrancá-las

Não quero que sejam
trabalhos
armas
do que não posso (não devo)
não vou ser

Tenho olhos que não enxergam o que posso ver
tenho mãos que trabalham
que moldam o mundo
sem nele
(porque dele)
viver


Todo esse meu corpo respira difícil em meio
meio difícil ser
luto todo dia
dia de luto
o que refuto
deveria querer (?)