quinta-feira, 18 de julho de 2013

Eu costumava saber cada parte do meu corpo
e onde situava
a vida que levava

Eu costumava contar nos dedos
os meus
os que perdi
e pra onde foram, todos eles
agora, pra onde foram todos eles?

Essa eterna mania de sentir em cada parte da medula óssea
os segundos adiante e o que não voltam mais
ah se todos soubessem
como eu sei eu sinto
que todas as vidas vivem nessa que achamos uma

E se vão

O que fica então
além das pequeninas
poeiras da memória
antiga capacidade de considerar eterno

Onde vive realmente o cidadão mundo
se não no tempo
no segundo
de existir
depois
não mais ali

Onde estão os lugares tão conformados
da dor
do gostar
do andar
do morrer

Será que quando me for
vou saber de onde?

A resposta é essa que
de tanto tentar juntar
pedaços
pessoas
lugares
laços
ficou o/no  etéreo da vida
algum lugar no cronos
perdida

E não escolhe
tu
eu
o mundo

Se ficas parado
te levam
Tão profundo
pro fundo
no fundo não saberás
quem o que te levou


Sabes sempre que foi
e que por pouco ficas
pediu tanto o mundo
nele inteiro,
agora,
habita.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Que fagulhas
que nada
que falta de figuras nesse dia

Chegou como uma fumaça que não se vê
respirou-se e ali ficou
e o silencio com ela
o silencio de existir porque só ele sabe quem és
e o que nunca dirás
por não haver como dizer

Os dias agora vêm como essa respiração terminal
silenciosos
sem pressa
aguardando o veredicto final
é isso então, viver?

Suponho que nos resta levar adiante
avante como nossas migalhas inventadas
imaginadas na falta do empirismo enferrujado
do amargo que se engole dose por dose todos os dias

As pessoas fazem anos
fazem nada vendo o tempo passar
e seguem-se os matrimônios
as danças
as partidas ritmadas pelo tic tac que é sempre um prelúdio

Prelúdio de viver no quase
amanhã
sempre
mas hoje estás aqui
ou estás La
e estás só

Mesmo que digas
aqui vive do meu lado pois meus olhos vêem
tocam minhas mãos
sinto a vida escorrer aqui

Mas estás sempre só
tua paz a falta dela
o fim do dia
vem pra ti e somente pra ti
que vives no fundo como
alguém que caiu  buraco  adentro e só ouve ecos
um fio de luz vê somente

Mesmo que navegues tu
no oceano do social
que se afogues tu
mil vezes em mares que não sabes nadar

Tu és assim
isso que percebes quando olhas
nas vagas do teu dia
no espelho sujo
tu és isso que vês
refletido
na tua própria poça
tua existência.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

A vida pode ser uma merda
dessas disformes
insólitas
essas merdas sem razão

O dinheiro acaba
o fôlego
o peito cansa
para
existe

As pessoas querem a atenção que não se dão,
por um momento
E a tua flor hão de pisar
porque invisível é a tua flor

Utopia
liberdade
dor
sonho
felicidade
amor

É tudo um bla bla bla sem fim
no fundo você está louco
por uma cerveja gelada
e nada de consciência


O dia que me permiti desistir até dormir.

sábado, 6 de julho de 2013

.

O mundo é um abismo tão estranho
escuro
felino
feroz

Quando você cai pode ver
tantas cores
são cores ali
todo esse preto farpado
é que de tão misturado
que é a vida

Isso de viver num eterno sim e não com ela
ainda há de ser o que nos mata no final
o que não nos dá
as luvas
os óculos
pés que corram por pedras


Quando acordei
eu vi toda a camada derretendo
por baixo da superfície líquida
fina
transparente
que descansa ali como se não soubesse do abismo na esquina próxima.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

.

Você fez
da mulher algo assim
que você não quis conhecer
criou teu próprio objeto de alienação
teu fetiche secreto
sagrado
intocado
você diz
e ainda uma vez mais vai dizer
quem entende as mulheres
a verdade é que você sabe
somos só mais um sexo
como outro sexo
como um anexo
da vida
como você
nós existimos
como você
talvez deixe de existir
mas a verdade é que você só se apega àquilo que cria
de própria autoria
hetero homo filia
você segue
com seu trunfo nas mãos
a superfície daquilo
que nunca vai conhecer
que nunca vai saber
tocar você

.

acordo
bebo meu café
forte, entre o doce e o aperto na boca
sorrio
a vida dança

que criatura estranha
é tão suave ser do tamanho
que se imagina ser
você deveria tentar

ser você
se livrar
só pra variar

a vida
ela é essa existência mesmo
hora finita
ora tão vasta
que nenhum limite
de deus
da consciência
das pessoas
explica,
basta.


existir é bestial
tão genial
não tenho vontade
de atribuir o dom
tão vago
tão raso,
ser normal