quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Nada pode
me curar

Eu os vejo
caindo
de todos e por todos
em todos os lados que olho
dão as mãos
e também os olhos
saem do chão

Quem sou eu
presa ao meu térreo coração
nada sinto que me mova, na eterna direção
Meu foco, antes terno
distribuído pelo vento
voltou-se todo a mim
preso ao pensamento


Só me vejo

me vejo e só

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Quando nasci
deixei
logo
(quase posso ver)
uma ponta ali.
não sabia eu então
que por isso seria
que fosse eu tão longe
quanto a linha esticaria.
quando a gente cresce
esquece desse fio
vai pelo mundo
dando volta
cruzando caminho
segurando a linha, senil.


Ela existe
pra isso mesmo
de um dia parar no meio
do próprio labirinto
traçar o caminho de volta à ponta
já tão gasta
humilde e seca no tempo.
a gente segue sem ela
porque ela é a gente, que tenta ser
sem se poder ser, a gente, no mesmo lugar, ao mesmo tempo.
por isso tanta linha puxada
tanta dúvida tanto medo
é que a gente dá nó
no próprio segredo.
que se arremata voltando à ponta
a essência da nossa (v)ida.

você deve me conhecer como um caleidoscópio
de apenas uma
face identidade

ela sê
silêncio
se chama

vai encontrar
por muito do que mostra/vem o tempo meu
pêndulo esse de tal face minha
vem
volta
não deixes

vai encobrir tanta face
tentar existir sozinha

deve ser sobrevivida
e submetida
à resignação
em ti

revolta te
teu silencioso

Silêncio prisma meu
sabe existir e nada mais.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Você não vê
não não vê você
você fala
e apenas projeta
gasta tua energia mundo afora
não vês que o mundo é um turbilhão
ah o mundo é cheio de vozes e seu ecos
não há verdade que espera para ser dita
o mundo anseia pelo silêncio
e não paras de falar
me pedes que fale
você os outros até os animais
todos gritando mais alto a sua versão
sua explicação
do que todos sabemos
escondemos
pára um instante
natureza
concreto
da imundície à imensidão
não vês? Não, dessa vez tua cegueira é real
não há imagem esta que substituía isso que só tu vês
que vejo eu
que vê o resto do mundo
a paz do silêncio
Não quero ver
não mostrem
o que essas mãos escrevem
o que esses olhos veem
esse todo pensa
teria lugar nesse mundo tão brilhante um enjeitado como eu
quem quem seria afinal, o louco
a deixar-me entrar
devo lhe avisar
com facas e farpas que não sou de sutileza,
feche a porta
só eu sei desses olhos
dessa cara assim desajeitada
desse ser invisível
dessa incompreensão
só eu sei o que é
guardar minhas armas de mim
feche a porta antes que entre, antes que eu saia
deixem-me existir na bruma diária,
sou a bruma, o instante que não existiu
aquilo que quase vira solidão
sou esse espelho que mostra algo que não sou
já tenho dever
juntar, para um fim, talvez
esse eu que foge de mim.