quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

por que
tenho que perguntar
antes que a fugaz meninice de minha mente se vá
ao redor do que me fere, escapei uns segundos
antes que eu me vá, me entre
antes que adormeça
perguntar
por que

ensina-me vida a ver o que deveria, mas não vi
arranca meus olhos para que eu não veja
tão humana
adormece minha mente para que eu não queira ferir meu corpo com tudo que se dá a fuga
ensina-me a perguntar, assim, as vezes, com calma
sem pisar-me a própria alma
por que

diz-me devagar e com silêncio o modo de perguntar
dê-me a força necessária pra encontrar
sabor na água que não é água depois da água provar
sabor na cor que não é cor depois da cor contemplar
sabor na vida que não é vida quando a camada, retirar

mas guarda-me mais um resquício dessa criança
que pede em silêncio que fique
guarda-me dela a doçura sem rancor
guarda-me ela
a inocência
o perguntar

por que
meu olho direito
embaçado
desconfia do que vê


bem faz olho meu, vazio é ilusão
só a ideia é infinita, posto que perspectiva
e numa vida, eterna

na rua,
mesmo vazia
a noite um cachorro dorme,
não,
existe apenas, existe em sono quem não pensa

ah mundo meu,
por tanto rejeitei
o canto da visão
a periferia do que mostra a mim em verdade
própria construção
quem sou eu
filha
mais uma
da missão
saí da caixa, adeus mundo meu

só a ideia é infinita, posto que perspectiva
e numa vida, eterna

dou-te embora corpo meu
presenteio sua elasticidade
sua inverdade
com todos os vícios
as marcas
que testa, minha mortandade
enquanto (vivo)
flutua face minha
enquanto (há) mar

quanto ao resto
ao infinito
vai resto meu
enquanto (te) guia
alma

só a ideia é infinita, posto que perspectiva
e numa vida, etern
a

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

num vasto mundo
pensei haver
tantas cores
pensei ser
vermelho

tudo cinza

vermelho é só vontade
que ame mais o mundo
do menino na rua
da criança crua
dos pais confusão
da alma torta
encontro coração

tudo cinza

vermelho é só vontade
como mostrar
estou cinza também
sozinha por ter de acreditar sozinha

o mundo é projeto de si
pequeno e incapaz
quem acha que sabe o quer
o que quer é superfície na pelo pro mundo
pra provar mais pro outro e pra si

tudo cinza

cinza só não a paz
a paz é preta carregada de cor confusão
de voz em excesso
de ruído
incomunicação

imploro a paz transparente
um lugar inexistente
solidão
queria ser um
ser
sem
solidão
matéria nas mãos
que flutuasse
voasse
calasse
esquecimento em um mundo vão

nasci palavra
palavra muda
palavra dada
palavra ouvida
palavra ferida
levo comigo
a promessa
das letras formadas
pra um futuro ser
consigo apenas repousar
meu amar
meu sonhar
meu ser
em palavras

estou sempre soltando-as
pois que saem
sem pedir
estou sempre ganhando-as
me cortando
sem querer

existe um lugar
quase estive (lá)
lá é
lá é
lá é tudo que não direi
ausência de ideia
de matéria
esquecimento de promessas
de ser
“confie em mim”
lá não há confiança
mim
ou esperança
o que é amor perto do que (é) lá
que não (é)
la que é (não)
a paz de não existir
sem paz
sem solidão
sem nada
sem palavra.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

menino moço
homem
da barba
do rosto tempo
solidão
acumulam-se numa ideia fantasma de si

só vejo luz em ti

menino moço
homem
cada canto teu
canta aqui
desenha em mim
curvas vertigem
me salva do chão

só vejo luz em ti

menino moço
homem
herói
marginal
só te toco as margens

só vejo luz em ti

menino
moço
homem
tua mão
tua ideia solidão
tua vida escuridão
irradia em mim
ilumina a visão
me preenche o coração

não canses de dizer,
doce é seu convencer

pois que tu e tuas sombras
canso nunca eu de ver

só vejo luz em ti
A verdade pura e sim era
por mais que eu estivesse sempre a untar minha mente
unir minhas partes
era desencontrada
sempre prestes a cair
perdendo partes por aí
perdendo o medo do sentido
catando abrigo
nasci num desencontro com mim mesma
uma tarde estranha
ah esses pequenos demônios da mente
me dizendo
só não fique triste
mate o que incomodar
mate só mate
vou dizer que esse calor não me põe assim
tão paciente
ficando os demônios insistentes
ei de fazer
é um dever
manter e cultuar a unidade do caos
ninguém vai me dizer
o que ser por onde não ir
já entrei
quero sentir me preencha doce ligação
com quem me ama
por tempo demais
mas que material
é depósito dessa mente
as mais divertidas torturas diárias
diverte-me proporcionar
matem-se no meu circo
queridos, meus

um momento
aguardo ao telefone chamar
uma vontade de desistir
por que mesmo?
falar
interrompe
sei
do ruído
cacofonia
da ausência
da demasia
estive aí

acalma teu coração
prepara a rua
aponta a lua,
pro teu descanso volto então

um despertar exigente
cava
fome sente
das palavras que não mentem
o sentido
é vasto e vão

acalma teu coração
prepara a rua
aponta a lua,
pro teu descanso volto então

força que empurra
parede que anula
desfaz do movimento
acaricia o pensamento
deita embora o comando

aprende a ter o que não tem o mundo.
eu sei,
(sou)
todo segundo
me dê teus olhos e durma...

acalma teu coração
prepara a rua
aponta a lua,
pro teu descanso volto então

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Como
em que formas
em que palavras
que estranha racionalidade consegue
deixar ir

Todas as ligações vãs e cansadas de meus fragmentos tentam
inútil tentativa
pois que o que está é-se antes mesmo de ser
antes mesmo de saber
antes mesmo de querer

Vou-me como o vento
como substância sem movimento
por sono de devir
de dever
por ir

vou no entanto
sem entender
como pode um pensamento
comandar
sem sentimento de comando
sem forçar de sentir
que se vá
sem agir

vou, no entanto
Sei que vejo só
o mundo amplia
coçam minhas mãos
meus olhos queimam
o mundo amplia
ou só meu quarto

Ah, existência iluminada pela dúvida
pelo ruído
me ilumine também
amplie em mim o devir do meu próprio nascimento
faz nascer em mim

opções
a vida te faz escolher
nos tópicos mulheres homens saúde e tristezas
sobreviva aos tópicos da vida
sejas tu teu próprio botão

E há os evangélicos
falam com você
e te dizem dos exames
da amada que deus em fé enviou pra que a vida multiplique amor
o que sabem da vida esse pobres
sabe mais da vida a fumaça de meu cigarro
que fluida sem direção
vai
apenas
e me leva
sem perguntar

vai você também
seja o pó das ruas
nu
nua
seja o riso das ruas
vai
o que sabe tu senão o que te revelam esses olhos que nem revelam
vai tu
que tu és de todos até que te digas o contrário
vai tu
que não tens marcas
que não sejam a marca dos homens
pois que a vida
o cigarro
a ferida
não veem em tu mais que receptáculo pra repousar
repousa então tu, também, sobre a vida
sobre o cigarro as ruas
não te digas que não és o que nem foi
o que nem sabe
o que nem és
tu
que só és, visto que pensas
tu já eras antes de pensar ser

ah
pequeno
não vês como te enganam
todos os dias
os fios de teus pensamentos
os nervos de teus olhos

sejas sem pensar
deixes queimar
como queima teu cigarro
queima pela vida e vais

o dia que souberes tu
da vida
serás o dia que não saberás
pois que serás, tu
sem pensar

só as manhãs entendem o todo


sábado, 7 de dezembro de 2013

Todos os santos insanidade
doidos
beatos
os que a todo instante
fogem da morte

Entenderão

Meus fios tortos
meus pensamentos
meus fantasmas
meus mortos
não vejo fim

Grito no escuro
onde estarás fim de mim

Hoje faço
não sem gosto
não sem medo
uivo a sorte
que encontre
um rastro de mim

Se eu não soubesse
dos poetas tortos
da existência pervertida
no excesso de vida
não estaria aqui

Canto ao caos
aos que a ti sobreviveram
ó existência
estação para o inferno
lira dos 20 anos
assassinada na rua morgue

Canto ao meu cigarro
queimando o tempo
derretendo desintoxicando
levando de mim

Estou no canto insano
vai, ser gauche na vida
e não vejo saída
saída de mim
Dúvida
dor
doçura
medo
Dúvida
dor
doçura
medo
Minha mente
brinca
em meu coração
pulsa
minhas mãos
Dúvida
dor
doçura
medo
Misturados
ritmados
Sempre a mesma
sempre outra
Retipando
entendendo
processando
Dúvida
dor
doçura
medo
Tornei-me
um compasso de mim
fi-lo
assim
pra organizar

Dúvida
dor
doçura
medo
Só me encantam as artes
que agora a parte
do que tenho em mim
converso

Só me encantam as belezas
da tentativa de criar
do som
a tinta
a palavra
do que tenho retratar

Só me encantam as artes
o que obriga
cansa
padroniza
me doem ossos cabeça pensamento
vertiginoso de repente

Só me encantam as artes
pois me encontro sem fim
sem propósito
sem caminho
que leve de mim
tudo que é útil
quadrado
fadado está
morrendo assim
Encheram-me dessa coisa meu deus o que fazer
eu que nem em ti acredito
acredito apenas nessa palavra vazia construção ora maiúscula ora minúscula
de desespero vão
mas encheram-me dessa coisa que as vezes vermelha viva
clara nas manhãs
azul no cuidado
isso de que falam as músicas
as artes
isso que perseguem os tolos
que fingem não querer
todos
encheram-me assim tanto dela
que eis aqui minha ode ao resgate
ao resgate de minha contemplação
pois eis que me encontro
cheia de matéria
de verdade nas mãos
o que fazer
quando se tem da matéria já não se és em projeção
agora é busca ó meu deus
em cada canto em vão
em cada som
em cada luz
em cada fio de solidão
entregar-me
eis que a vejo
doce visão
afaga meus cabelos não posso não quero não vou
dizer não
mas ah meu deus
o mundo também é só
e só tantas são as vontades dos homens
o que fazer então
com esse algo que só pensa
em darse a outra mão
o que fazer quando descobre
tudo o todo ilusão
o que dizem as bíblias o que pensam os homens
o que tentam os livros e toda a criação
o que não dizem os amantes
quando deparam-se
quando encontram-se no não
estou assim com essa criança
a me puxar pelas mãos
seus cabelos são selvagens
seu riso contradição
é tão doce essa criança
não posso negar-lhe a mão
o que me pedes é tão singelo
o que me exiges é tão senão

Que guardes a verdade
de existir sem criação
somos nada no entanto potência
temos nossa uma missão
sair da margem enfrentando
o que nos nega a construção
será herói rebelde tolo
quem o for de coração
me obrigou a criança
tocar a água palma da mão
me disse a criança só se liberta
se liberto é o coração
líder será de toda luta
quem amar sem negação
quem devoto
cego
obstinado
amar sem achar razão

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Sou Ninguém.
A parte do que sou, no entanto, sou eu toda a consciência. Sou eu toda a liberdade. Sou eu toda a existência.
Sou Ninguém.
A parte do que sou, no entanto, sou todos os nomes. Sou eu toda água embaixo da superfície, Ninguém esperando para derreter.
Sou Ninguém.
Eu Ninguém, no entanto, descobrindo a profundidade da potência em projeção. Ninguém contêm os sonhos do mundo. Ninguém espera como centrí fuga, força construtora.
Sou Ninguém.
Da agonia descubro as garras do mundo. Do instante, a dor. Ninguém usa as próprias garras para a dor do mundo. A parte disso, tenho toda a aflição.
Nada liberta mais Ninguém do que a consciência de Ninguém humano.
Nada liberta mais Ninguém do que a consciência de existir oprimido e já, produzido, e no entanto, carrego em mim toda a possibilidade do Mundo.
Sou Ninguém.
Ninguém é responsável pela própria existência.
Ninguém é solidão.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Quero a glória do meu silêncio
silêncio mundo
eco profundo
quero a glória da construção que se dá na superfície:
o vento toca cortinas que se movem
sou solidão

Quero a glória do meu silêncio
não tenho tristeza de minha solidão
me extasiam como se formam
me encantam evasão

Fiz da renúncia a renúncia em si
que soa como pés descalços no interior da linguagem
na beira do rio
dos homens a margem

Quero a glória do meu silêncio
mundo te sorrio
pois não sabes
estás vivo
e pulsas invasão

Quero a glória do meu silêncio
tempo
presenteio-te com o momento
que levas pra imensidão
hoje vejo do teu silêncio
sempre ardil na construção
tudo glória solidão

doce tempo
meus braços abertos já pressentem antes de ti
saltarei fora de mim
não me despeço:
eis que ali
vereis de novo
serás o mesmo
e sempre outro


Quero a glória do meu silêncio