domingo, 23 de fevereiro de 2014

as palavras
juntas
dançam no caminho
(danço também)
de uma bela utopia

vida é caos,
e as pessoas:
um cheiro tal,
de querer ficar

Eu tenho
só o vinho
só, no vinho
um flutuar
de paz
sem demora
o que quero sou agora

vida é caos,
e as pessoas:
um cheiro tal,
de querer ficar

Rodando em cores
e na pele mole

viajar
e apaixonar
poesia feita de olhos nos olhos com o corpo feito no corpo
até dar um sono bom

vida é caos,
e as pessoas:
um cheiro tal,
de querer ficar

não quero!
nada moldado
sonho dado
feito pra seguir
quero chorar
descobrir
que ser o que se é
é quase morrer

pra viver
mais que existir

vida é caos,
e as pessoas:
um cheiro tal,
de querer ficar

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Tenho pensado cada vez
mais
entendido cada vez
menos

Eu sou eu e os meus fantasmas
nada mais

Tenho andado
por lugares
em minha mente inimagináveis
e quem acreditaria

Eu sou eu e os meus fantasmas
nada mais

Eu tenho circunstâncias
que não sei
minhas de verdade
eu tenho humores de quem já viu demais

Eu sou eu e os meus fantasmas
nada mais

Eu venho achando
que tudo que pensava entender,
hoje
não entendo mais
eu tenho me cansado do excesso
do acúmulo
das pessoas e de tudo que
as rodeia
eu venho querendo um lugar
de esquecimento,
de natureza

E meu pensamento,
merece paz

Eu discordo de tudo que vocês dizem
por aí
(eu acho que o mundo seria um lugar bem melhor
se vocês pensassem mais
falassem menos
e se dessem conta de que só tem uma chance
aqui
vocês poluem mente e mundo
porque há uma promessa vã
de depois)

e continuo discordando amanhã
mas não tenho certeza

O mundo às vezes parece brincar

Eu sou eu e os meus fantasmas
nada mais

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Meu pai
você vê
é um maluco assim muitas faces
faces fugas de si
meu pai acende um cigarro e foge de todo o ruído

Meu pai e eu compartilhamos o silêncio

Meu pai
você vê
persegue mil sonhos toda manhã
no final do dia
vê notícias
e um seriado como eu e você

Meu pai e eu compartilhamos o silêncio

Meu pai você vê
descobri assim
marginal
e num dia bebe whisky e sorri
porque a vida brilha ali
no outro
leva a pequena ao parque
e tudo é cinza

Meu pai e eu compartilhamos o silêncio

Eu venho desejando
viver todos os dias
como se acabasse de nascer
aquele ardor na pele
o mundo arde o mundo é dor,
em boa parte

Mas meu pai
você vê
venho desejando ser arte
pra que eu possa ser
pequena insignificante parte
da quimera que ele persegue,
felicidade

Meu pai e eu compartilhamos o silêncio

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

sozinhos
quando estamos
caminhamos com
nós no caminho
prostramos a entrada
não vemos saída
de nós

E o que incomoda
mais
num maldito
se não a maldita felicidade
alheia
ou a maldita maldição
alheia
afinal ser só não é condição
de um

Quem pode
livrar um perdido
da própria
perdição
da falta de olhos
limpos
e caminhos
postos

Os malditos solidão
são amargos
e amaldiçoam
são cegos
e não vêem
a própria solução
estender a mão,
pra um maldito:

ato vão.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Fico meditando
acerca dos estranhos prazeres da madrugada
não há morada
e nem ser
não há estada
pra viver

Um gosto na boca
um regalo qualquer
já passa da meia noite
meu bem
se não te vás de vez
vás dormir
o amor não vem

Mesmo
no entanto
de assim à assim
me finjo poeta
é que não sei de alma
ser concreta

Deixa meu corpo ser
só ele sabe vencer
o peso do material
só a vida
finita nessa vida
é fundamental

O resto é promessa
Ainda bem que
a noite
é
infinita
e ainda que nem
bonita
vive a existir-me

Não há estrelas
no meu céu
que é
concreto
nesse teto
só em mim se iluminam
as pontas

Meus cigarros

Mas
ainda assim
na noite
há de ser
muitas ninfas dançam
e sátiros cantam
pois mesmo que nem bonita
viver a existir-me

A noite

Tem mil possibilidades
vãs
chorosas
e sãs

De não ser

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

É, noite
já se está
está anoitecendo
luz evadida de um dia seco
por dentro

Seco

Todos os malditos agradecem,
agora
a ausência de luz
e a bebida gelada
calada
no fim
de mais um dia

Seco

Talvez um cigarro
um escarro
no fim da garganta
calem de vez
a persistência patética
da já vencida
esperança
é só mais um dia

Seco

Vazio
pois que lhe tomam as últimas vagas
as palavras
que expressam
nada mais que a sobrevivência
da idéia inalcançada
de vida plena
num dia

seco