sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Você precisa relaxar


Nós temos um sério problema com o curso da vida. Ok, talvez eu tenha...mas com certeza não estou sozinha nessa. Estamos sempre tentando ter o controle de tudo... Nossa preferência política, nossa cor preferida, o sabor do sorvete, qual é o seu melhor amigo...estamos sempre nos obrigando a segurar bem as rédeas de nossas vidas, inclusive sobre nossos instintos e sentimentos.
O paradigma da sociedade moderna é ser racional, controlar nossos impulsos mais inexplicáveis e nossos sorrisos nômades. O ponto é: os pilares dessas convicções precisam estar firmes em tudo?           
Andei pensando ultimamente sobre algumas coisas da vida. Sobre o cotidiano, sobre as pessoas...e sobre os coquetéis mais perigosos: os relacionamentos. E a partir desse viés controlador, fui observando como agimos eu e as pessoas com as quais convivo. E quer saber a conclusão? Somos um bando de insanos. (Ok, talvez agora você deva estar pensando: “E como é que você não percebeu isso antes?”). 
Nós simplesmente não deixamos que tudo flua corretamente. Quando algo começa, mesmo quando é uma simples conversa de bar, queremos saber o motivo, queremos o objetivo. Somos tão tolos e não percebemos que a vida é um grande tear. Não adianta querermos seguir e destrinchar linhas retas. O corpo desse tapete mágico é costurado com mil e uma voltas. Não sabemos de onde elas vem, nem pra onde vão.          
Nem sempre somos culpados. Muitas vezes quando deixamos o traço do lápis correr solto, os desenhos feitos não nos agradaram, as vezes foram tatuados, de modo a deixar certos traumas visíveis. Mas precisamos sair dessa bolha de conforto e deixar que tudo serpenteie naturalmente. Não podemos nos apegar ao vivido e construir modelos para o vivido ir-se há.
Nossa tensão e PRÉ-ocupação com o post scriptum está assassinando as relações. Precisamos de ar.
Essa é uma lição que deixo para nosotros. Sorria. Convide, vá. Dance. Envie mensagens. Pise torto. Chore se não der certo. Corra quando sentir que não agüenta. Misture pessoas. Ame-as.
Com um pouco de bom senso e  o respeito devido ao ser-não-ser de todos, tenho certeza que um pouco de incerteza não faz mal á ninguém.        
Enjoy it.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Pedras...

Quer saber? No fundo, nada importa. Vivemos uma luta diária. De sexos, de gêneros, de gostos, de objetivos, de tristezas, de motivos...sem motivos. Vivemos a eterna dialética de nossas preferências superficiais. O que necessitamos é mostrar aos outros que possuímos o eterno controle sobre nós mesmos, e necessitamos gritar isso ao mundo, que todos saibam que temos as rédeas de nossos pensamentos, do nosso      querer.
Esperamos ganhar nossa própria admiração e admiração alheia, ou as vezes a raiva alheia, porque ela acaba nos dando uma felicidade própria. Cutuquei-o, fiz com que demonstrasse alguma reação. Ainda possuo algum valor... 
Mas, por que então, isso não traz resultados? Por que, então, partimos de um á outro, em uma insana busca por alguém que nos reflita tão bem, por que nos procuramos tanto no outro?               
Quer dizer, não que o eterno caminhar da vida, o frescor e a cor infinita de conhecer pessoas, não seja certo. Muito pelo contrário. É mais do que certo. É necessário. São as pedras pontiagudas e diferentes que cobrem cada um que fazem com que seja mais interessante descobri-la, porque o delicioso é que o está por traz das pedras, é aquilo que se desarma para aquele que foi corajoso e persistente o suficiente pra descobrir. E com isso não torno essa caminhada romântica, de modo algum. Pois as pedras devem ser retiradas em todas as relações, desde a amizade ou a paixão desnorteante. As pessoas são feitas de pedras. Seus filhos são feitos de pedras, sua avó, também. Pois bem, se o insólito e inesgotável é o que se encontra por traz delas, por que cargas d’água nos contentamos tanto com as pedras? Essas que na maioria das vezes nos furam e desgastam tanto, a ponto de não conseguirmos segurá-las mais?
Estamos preguiçosos, preguiçosos e egoístas. Preguiçosos porque a primeira agulhada, nossa frágil palma da mão, desacostumada com o lido do ser humano, foge pra algo mais macio. Egoístas, pois já nos dirigimos ás pessoas com moldes de pedras que queremos retirar, ou construir algo, junto com as nossas. Se as pedras não são aquilo que queríamos, partimos logo em debandada, com a desculpa pronta de que não houve uma “química”, e recolhemos nossa mão pseudoferida e vamos logo massagear nosso ego. Mas não, não sabemos o que é estarmos feridos, não de verdade, não chegamos a sentir o gosto...ah não ser que você saboreie pedras, particularmente não faz meu paladar. Sofremos sozinhos, por nós mesmos, por antecipação, um sofrimento por ilusão. 
Tenho a felicidade ( quando digo felicidade, trago implícitos nessa palavra, todos os gostos e sabores que a conservam, os amargos também), de trazer as mãos calejadas, porém cada vez mais fortalecidas. Elas doem sim, mas é só no começo, depois acostuma-se. Fecho os olhos e respiro livremente o ar que a essência de algumas pessoas levam consigo. Não há pressa nisso, não há urgência, há, talvez, uma necessidade, calada e reprimida em todos vós, mortais e imortais de mastigar e ruminar um pouco mais da   vida.
Comecei, e faço o convite a quem se dispuser, estou lhe esperando. Leve o tempo que for, um passo de cada vez, e deixe essas pedras pra lá, moço. Não perca seu tempo construindo castelos que só te protegem de si mesmo, jogue as pedras fora, fora do seu caminho.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Simples

Seu riso ecoa de um lugar que não vejo
Simples, pra você é tudo simples
é um céu amanhecendo, são ondas de um mar
é uma vida a navegar
Acordar piscando devagar, bem devagar
esses olhos pequenos e muito brilhantes
é olhar da janela e pensar que amanhã vai ser outro dia
E me convida, essa vida que minha não é
Eu penso muito
Eu vejo tudo
Eu quero um todo, que não lhe pertence
Estou sempre aqui, estou sempre ali, eu estou em qualquer lugar
Eu vôo alto, eu piso firme
Meu caminho é tão meu
Mas você sorri e me puxa, resistir seria aceitar sem ir?
A vida não seria mesmo assim, penso eu
um querer sempre sem poder, padecer naquilo que deveria mas não é
Mas não há preocupação, não agora
Enquanto seu riso ecoa no vento que chega da janela
e eu sinto que é simples, tudo simples.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Doce vento

Parece que sinto aquilo que sentirei
as flores hoje balançam com o vento, perdidas em um ar que nunca sentiram
amanhã estarão tocadas, mudadas com o hoje
amanhã serão outras, flores
e tu tão diverso, daquilo que enxergo como diverso
produz a emoção do que não conheço
balança as flores, produz efeitos
tu que tão simples, tão singelo és
tu que não seria notado por olhos tão cansados e perdidos como os meus
tu que emerge de um mar de iguais, e luta com a teimosia da minha fuga
eu fujo, olho as flores bonitas, coloridas...sinto o vento
mas sei o amanhã
aquilo que vejo em ti, é melhor do que vi em outrem
pois a ti abraço como sendo menor que a mim, docemente menor
E aquilo que maior foi, nunca alcancei, nunca alcançarei
Tu serás sempre o doce vento desconhecido que balança as flores.

Preciso

Eu preciso
preciso paz, preciso tempo, espaço
eu preciso menos
menos você, menos de mim
menos de tudo que dilata e contrai tudo em minha volta
campo livre
espaço aberto
a melodia soando e insistindo e fazendo sentido só pra mim
preciso menos de ideias que não são minhas
preciso me encontrar
me encontrar comigo
abrigo
chuva, vento, sol, cores verdadeiras
preciso daquilo que o universo produz sem toda a pressão
sem pressa
sem opressão
Eu preciso
preciso pensar ser amanhecer
que fujam a horas
que corram as pessoas
que eu sorria sozinha
e sinta aquilo que somente eu
preciso.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Banharme

Vou banharme
Tirar a lama do corpo
A venda dos olhos
A areia que arde nas janelas confusas, janelas d´alma
A confusão que desejo ver em ti, neles, no mundo
Vocês, tão certos de seus passos cegos em direção ao abismo
Tu, com teu espírito chorando por dentro, por corpo tão prisioneiro.
Seus corpos.
Que vagam incertos gritando ao leo.
Suas almas.
Pedindo socorro, suplício do céu.
Vou banharme
Tirar a lama do corpo
A venda dos olhos
A areia que nasce nas janelas confusas, janelas d´alma.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Pétalas

Somos pétalas.
Somos finos, sutis, coloridos e desmanchamos facilmente.
A vida é a flor que nos mantêm presos, e presos á ela insistimos até o fim.
O fim é o vento, a gravidade, o inevitável.
O vento vem e carrega, sutilmente...
e de repente somos só mais uma pétala que se foi
Tantas outras se vão todos os dias
tantas outras nascem
Permanecemos, nós, pétalas
um tempo cultivando a flor
Algumas deixam delicioso aroma
outras são venenosas
Mas no fim
Os perfumes são iguais,
as cores são as mesmas
a pétala desfalece
e se vai.