segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Chuvas de verão


São tempestivas. Fortes. As vezes são cinzentas, outras de um dourado-fim-de-tarde de tirar o fôlego. São como a transpiração da natureza. O seu desabafo. Mas por que nos identificamos tanto com elas, por que quando chegam, parecemos nos cercar de um silêncio precioso, de um ritual de respeito? São algumas das sensações que nos passam, as chuvas de verão.
Podem simbolizar várias coisas: uma resposta. Pras pessoas que são supersticiosas e acreditam em sinais (particularmente, não faz meu gênero), podem ser uma resposta poderosa e ruidosa pros seus pedidos silenciosos. Ou ao menos uma pausa no tiquetaquear dos pensamentos aflitivos.
Um alívio. O turbilhão pode lavar o espírito dos inquietos. De repente, tudo aquilo que martelava insistentemente em sua cabeça, sede lugar a voz de algo maior, a voz da natureza. E a chuva traz paz. Também aos que sofrem com o maltratar do sol. É um Oasis. É o presente que os que dependem da irrigação da natureza (sem toda a modernização dos que podem custeá-la), recebem do                planeta.
Mas também pode ser Um aviso. Aos que não podem com ela. Que se abriguem em suas casas, que não a questionem, que não meçam forças. Aos que fixam raízes onde ela destrói as mesmas, ela mostra o porquê não pode ser subestimada. Se for preciso, sempre conta com os trovões pra ajudar na ameaça.    
E essa é a beleza dessa Deusa das águas. A sua dualidade. Capaz de prover e retirar. Fascinar e amedrontar. Mas acima de todas as respostas, conseqüências ou sentimentos sobre ela. O que cada um sente dentro de si toda vez que a ouve chegando é que não podemos subestimá-la.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Você precisa relaxar


Nós temos um sério problema com o curso da vida. Ok, talvez eu tenha...mas com certeza não estou sozinha nessa. Estamos sempre tentando ter o controle de tudo... Nossa preferência política, nossa cor preferida, o sabor do sorvete, qual é o seu melhor amigo...estamos sempre nos obrigando a segurar bem as rédeas de nossas vidas, inclusive sobre nossos instintos e sentimentos.
O paradigma da sociedade moderna é ser racional, controlar nossos impulsos mais inexplicáveis e nossos sorrisos nômades. O ponto é: os pilares dessas convicções precisam estar firmes em tudo?           
Andei pensando ultimamente sobre algumas coisas da vida. Sobre o cotidiano, sobre as pessoas...e sobre os coquetéis mais perigosos: os relacionamentos. E a partir desse viés controlador, fui observando como agimos eu e as pessoas com as quais convivo. E quer saber a conclusão? Somos um bando de insanos. (Ok, talvez agora você deva estar pensando: “E como é que você não percebeu isso antes?”). 
Nós simplesmente não deixamos que tudo flua corretamente. Quando algo começa, mesmo quando é uma simples conversa de bar, queremos saber o motivo, queremos o objetivo. Somos tão tolos e não percebemos que a vida é um grande tear. Não adianta querermos seguir e destrinchar linhas retas. O corpo desse tapete mágico é costurado com mil e uma voltas. Não sabemos de onde elas vem, nem pra onde vão.          
Nem sempre somos culpados. Muitas vezes quando deixamos o traço do lápis correr solto, os desenhos feitos não nos agradaram, as vezes foram tatuados, de modo a deixar certos traumas visíveis. Mas precisamos sair dessa bolha de conforto e deixar que tudo serpenteie naturalmente. Não podemos nos apegar ao vivido e construir modelos para o vivido ir-se há.
Nossa tensão e PRÉ-ocupação com o post scriptum está assassinando as relações. Precisamos de ar.
Essa é uma lição que deixo para nosotros. Sorria. Convide, vá. Dance. Envie mensagens. Pise torto. Chore se não der certo. Corra quando sentir que não agüenta. Misture pessoas. Ame-as.
Com um pouco de bom senso e  o respeito devido ao ser-não-ser de todos, tenho certeza que um pouco de incerteza não faz mal á ninguém.        
Enjoy it.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Pedras...

Quer saber? No fundo, nada importa. Vivemos uma luta diária. De sexos, de gêneros, de gostos, de objetivos, de tristezas, de motivos...sem motivos. Vivemos a eterna dialética de nossas preferências superficiais. O que necessitamos é mostrar aos outros que possuímos o eterno controle sobre nós mesmos, e necessitamos gritar isso ao mundo, que todos saibam que temos as rédeas de nossos pensamentos, do nosso      querer.
Esperamos ganhar nossa própria admiração e admiração alheia, ou as vezes a raiva alheia, porque ela acaba nos dando uma felicidade própria. Cutuquei-o, fiz com que demonstrasse alguma reação. Ainda possuo algum valor... 
Mas, por que então, isso não traz resultados? Por que, então, partimos de um á outro, em uma insana busca por alguém que nos reflita tão bem, por que nos procuramos tanto no outro?               
Quer dizer, não que o eterno caminhar da vida, o frescor e a cor infinita de conhecer pessoas, não seja certo. Muito pelo contrário. É mais do que certo. É necessário. São as pedras pontiagudas e diferentes que cobrem cada um que fazem com que seja mais interessante descobri-la, porque o delicioso é que o está por traz das pedras, é aquilo que se desarma para aquele que foi corajoso e persistente o suficiente pra descobrir. E com isso não torno essa caminhada romântica, de modo algum. Pois as pedras devem ser retiradas em todas as relações, desde a amizade ou a paixão desnorteante. As pessoas são feitas de pedras. Seus filhos são feitos de pedras, sua avó, também. Pois bem, se o insólito e inesgotável é o que se encontra por traz delas, por que cargas d’água nos contentamos tanto com as pedras? Essas que na maioria das vezes nos furam e desgastam tanto, a ponto de não conseguirmos segurá-las mais?
Estamos preguiçosos, preguiçosos e egoístas. Preguiçosos porque a primeira agulhada, nossa frágil palma da mão, desacostumada com o lido do ser humano, foge pra algo mais macio. Egoístas, pois já nos dirigimos ás pessoas com moldes de pedras que queremos retirar, ou construir algo, junto com as nossas. Se as pedras não são aquilo que queríamos, partimos logo em debandada, com a desculpa pronta de que não houve uma “química”, e recolhemos nossa mão pseudoferida e vamos logo massagear nosso ego. Mas não, não sabemos o que é estarmos feridos, não de verdade, não chegamos a sentir o gosto...ah não ser que você saboreie pedras, particularmente não faz meu paladar. Sofremos sozinhos, por nós mesmos, por antecipação, um sofrimento por ilusão. 
Tenho a felicidade ( quando digo felicidade, trago implícitos nessa palavra, todos os gostos e sabores que a conservam, os amargos também), de trazer as mãos calejadas, porém cada vez mais fortalecidas. Elas doem sim, mas é só no começo, depois acostuma-se. Fecho os olhos e respiro livremente o ar que a essência de algumas pessoas levam consigo. Não há pressa nisso, não há urgência, há, talvez, uma necessidade, calada e reprimida em todos vós, mortais e imortais de mastigar e ruminar um pouco mais da   vida.
Comecei, e faço o convite a quem se dispuser, estou lhe esperando. Leve o tempo que for, um passo de cada vez, e deixe essas pedras pra lá, moço. Não perca seu tempo construindo castelos que só te protegem de si mesmo, jogue as pedras fora, fora do seu caminho.