sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

pistas


Deixa pistas
não caminhos,
distante,
sutil,
quer ser encontrado.
o mundo,
o protesto:
eco distante.
Quando se tem, tem-se tudo.
não é a graça de viver:
sim a vida, apenas,
todo resto banal.
nesse canto cuido e olho,
mesmo que cega.
Pois há vida,
e há vida,
o pequeno pouco,
o descompromissar,
diz,
Se é viver,
ou viver.
digo que vivo.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

só mais um


Há outros e piores:
desses eu sei,
desses provei, aquilo que geralmente se cospe.

Um drama nunca grande perto d’outro.
assim é bom,
o egoísmo competir com o outro,
sempre mais fodido.

E ganhar,
o prêmio:
um copo grande e amargo,
a glória não ser único,
a quem a vida chutou.

É tudo exagero,
estilismo hiperbólico,
vai saber,  assim tudo inventado?
a gente inventa dor, cor,
tudo pra fechar,
um círculo,
nosso sabor.

never keeping with me


Recolhe e se vai
recolhe e se vai
no labirinto
caminhos,
uns de pedra chutar,
outros pedra deixar.
parar,
nunca há,
parar é pensar.
pedra ganhada ou pedra chutada:
recolhe e vai.

como renascem os velhos


Pois de gosto
cor
e cheiro,
eram novos como folhas,
na primavera,
nascidas de lugar nenhum,
motivo algum.

carregam em si toda a senilidade e o peso de
ventos assim,
que despedaçaram,
outros outonos.

mas tão folha flor,
tão inesperado,
como nascer.

Assim então todos os ventos do inverno,
nada eram,
que buracos em comum,
poços profundos.
se afundavam ali as vezes,
sozinhos,
juntos também.

todo ar,
respirado como o primeiro,
começavam a vida,
dois livros esburacados,
esperando escrever.
sabiam como disso se sabe: se vive, ou se morre.

das mãos novas e velhas, também o medo
normal quando vê diante a vida pronta ali.
Então os desenganos,
as covardias.
tão novos na arte de amar, tão velhos na de sofrer.
a incerteza vinha como um meio de morte na vida,
quando se vive o peso da estagnação: se anda ou volta atrás.
afundar e voltar todos os dias do próprio poço.

mas tão certo como a mão que corre a linha no livro é isso:
quando se há de escrever,
quando são caneta e papel, um
não se vê,
os buracos da folha,
as tantas idades da folha.
se veem ali, história,
nascimento,
o ar gelado de serem novos e iguais pra começar.

domingo, 2 de dezembro de 2012

ultimo fio


Rouco
rouco
sem voz,
como um condenado:
o limite.
cada um tem de si o mais fundo de sua terra,
Se cavar.
que essa inexistência quente e silenciosa
o resultado do núcleo de si,
pra quem foi.
sem voz,
como se o próprio corpo:
livrar do que não vai usar.
viver o começo da vida,
e sentir o gosto igual,
o mesmo cansaço,
de quem espera desatar o ultimo fio.