segunda-feira, 29 de abril de 2013


Quando eu acordo
hoje
todos os dias
e talvez amanhã há algo
que não reconheço

não sei

Seria aquela inocência pronta
a sorrir e dar a mão em consolo
a quem quer que fosse

talvez

Hoje só de pensar
em mostrar que dentro de cada um
mora um filhote de bicho qualquer
já me cansa

Não tenho esperança

Cada um de nós
adapta-se ao que pede o mundo
uma superfície
um segundo

e nada mais.

sábado, 27 de abril de 2013


Nem só de calmaria
vive o poeta
tenho uma face torta
a outra reta

vezes ando pelas ruas
me arrastando como um cão
no entanto sei fico parada
pelo vento é que sou levada
mas não saio do lugar
tudo em vão

Tenho o direito
á máscara do silêncio
ninguém nunca me disse
da verdade de falar
só dessas coisas poucas
sei expressar

 Assim,
pouco importa
dos lugares que ande
das pessoas que encante
meu silêncio
será constante
sentido
até que pra sempre me tomem as palavras,
Do corpo
enfim, vivido.

sexta-feira, 26 de abril de 2013


 não sei mais ver
o que você não mostra.
será que um dia
(um dia)
eu soube
sabia (achar) que via
sem ver

um mar
de espaço
feito pedaço
perdido
acabado
rasgado
artimanhas do tempo

joguei fora
muito que
achava
você saber
(se) você achar
que conhecia
o que você entendia?

 foi.

E onde estou
não sei mais ver
quem eu sou
nos seus olhos que nem vem
nem vêem.

tenho
mãos atadas
olhos bem abertos
que só sabem ver
você é uma pergunta,
que já vem com respostas,

eu não sei crer,
o que você me mostra
não sei ver.

Esquecemos o que somos,
ou mudamos
já nem sei.

Tantas faces
e nada a dizer.
tudo se deixa ficar,
assim,
sem responder.

quinta-feira, 25 de abril de 2013


Tudo bem
confesso,
hoje estou cansada
sinto uma disparidade
entre o tamanho
e o lugar que ocupa
isso dentro de mim,
e o que se mostra

Eu gosto de mim pelas manhãs
mas ninguém me vê

Eu gosto de umas sombras
que tenho nos olhos
logo que acordo
e do desprezo
pela luz que entra da janela

Tudo isso produz em mim
efeito assim
que gosto

Gosto da cor de cera
sincera
que tem minha pele
logo que nasce pela primeira vez
há ali uma certa harmonia
do que vive dentro
e isso que se mostra

Mas vem a tarde
a tarde é muito sincera
e tem muita luz
abre meus pulmões
querendo de mim uma verdade
que não sei dar
me obriga a olhar o mundo
e aceitar
a tarde é sempre muito exigente
nunca gostei do que arranca de mim sem pedir permissão

Mas logo antes que eu tome
algum tipo de decisão
precipitada
e tome de volta
da luz, roubada
vem a noite
expulsa a tarde
e me devolve
me dá sem cor
sem rosto
e posso ser
tudo que sou
aqui dentro

pra alguns
a noite é um tormento
pra mim é solução
a noite é educada
pede, é sempre agraciada
mesmo com minha solidão

Se todo dia fosse noite
eu não existiria
que a noite me dá vezes
de sombra
de calmaria
a noite me pede pouco
e me dá tudo
deixa-me existir
no meu mundo


no meu lado
no cansaço
no meu fundo,
mudo.

A gente não deve
isso de cavar
a ultima respiração
sofrida
da sinceridade

Depois disso, mais nada

Todas as armas no chão
as culpas
todas as vontades em vão

Não se é mais do que aquilo que se tentou
tão pouco
e tão fraco

Pra que olhar
pensar
tentar
falar

Cada um sabe
do fundo
do próprio poço
e pra onde seguir

Então.   

sexta-feira, 19 de abril de 2013


Tão bom é ser
clichê
eu gosto tanto
do que se vê
igual
e se repete
com som
sensacional

Gosto de mostrar
aos amigos
que pertenço
que convenço
mais que a mim mesma

Assim sou dentro e fora
do que eu quiser
do que vier
um brilho
uma multidão,
mantiver

Nessa vida senso
comum
lugar
enfim
achei
aquilo que bloqueava
do grupo me separava
um eu mais meu
pra traz deixei.

Somos tão fodidos
já nascemos com o dedo
com os olhos
no próprio umbigo

Olhamos
pros lados
pra traz
pra frente?
o que vemos

só o que não seremos
desacreditados
das raposas que ocupam
sentam
e pisam
na nossa
memória apagada

Nas cadeiras da nossa honra
vendida tão barata todos os dias
E você diz
você não vale 1 real do meu cigarro barato
você não sabe mais o que valer
o preço
do seu cigarro
é tudo que tem

E nós tentamos
todos os dias
justificar
nossa respiração cansada de velhos de 20 poucos anos
tossindo os erros dos nossos velhos, muito atrás
tentando pegar um pouco de ar

Só podemos gritar,
é tudo que eu tenho
não sei porque vou
não sei de onde venho.


Ama-se
isso
que se ama muda-se
tenta-se mudar
isso que ama-se
por que amar

 porque vê-se um quadro perfeito
mas se deseja pintar
não é obra, sua
que possa tocar
A vida é outra arte
 que não se poder criar

Predestina-se
ter dentes
predestina-se
ter garras,
viver vida outra na ponta dos dedos
 se leva sempre a sangrar,
predestina-se o malformado
inevitável

amar.

quarta-feira, 17 de abril de 2013


Quando eu sentei
na beira,
dos meus dezenove de vaidade,
acendi um cigarro e pensei:
todos esses porcos são os mesmos porcos
(mesmo quando limpos)

E os que ouvem jazz os porcos
que cantam samba os porcos
 que mijam a vida fora os porcos
que enchem a cabeça com todo o aparato do cristal intelectual,
até aquele,
menos que um animal

São todos os mesmos porcos
fuçando na mesma lama porcos
não vão a lugar nenhum
o que de brilhante a mim queima a mão (porcos)
nada é,
( porcos),
tudo em vão

(os porcos usam as pérolas que gentilmente ganharam de outros porcos),
e eu vou embora, porcos
que essa terra,
podre,
já cheira aquilo que apodrece dentro do que um dia,
foi (porcos moram).

segunda-feira, 15 de abril de 2013


Quando eu era assim pequena
mas pequena do que hoje sou pequena
de corpo alma querendo sair desse corpo pequeno
pensava eu:
tem um corpo um que assim dentro do corpo
blindado
que nada no mundo seria assim permanente de me atingir
como pode um ser assim, de pequeno
pensar ser especial

Não lembro quando se deu a mudança de mim em mim
e me tornei assim
tão exposta

Hoje eu também não sei
se é essa rua gritando de se afogar
a chuva dizendo
prisioneira estar

Sei que tudo quanto foi chuva
vento
e gente
deu-se o direito de ser pra como chicote lição

A vida deu-se o poder
fazer de mim
nua,
vulnerável

Então cresci
deixei isso de ser especial
flor que cresce por aí num mato escondido
e não se arranca
o vento carregou
a mim e aquilo que eu não sabia assim
(ainda não sei)
ser o que de verdade sou, o eu
acho que então
assustou
não é possível
tudo isso
ser assim

Caminhando no limite
da faca
e da espada,
não tem pra onde ir.
se fica já vai.

Eu corro,
atrás dessa luz que corre
a palavra atrás
na frente de mim
as vezes não alcanço.
eu quero descanso.

Quero saber
disso que eu respiro e engulo
e devolver
na forma, sussurro.

quinta-feira, 4 de abril de 2013


Dos outros dias
eu me pego
acostumada
mesmo com o amargo,

É que se sinto seu gosto
e quero cuspir,
algo ainda está certo,
algo por vir

Tenho medo é desses dias
que não sinto nada,
e todo o inferno,
parece um reflexo na água

Tão pura de não ter nojo
do que é imoral
quem sou eu
nesse corpo

Tanto faz
pouco fez
por vezes é assim
essa placidez
que não deixa de ser morte na vida.

quarta-feira, 3 de abril de 2013


Minha vida foi passando,
sabe.
o problema é que não fui escolhendo
é que não sei do mundo
mas do que ele pesa
e que não é nada

 tenho um muro
as vezes
sento
as vezes ele é que fica na frente
a verdade é que não ligo,
eu sou (ele é) abrigo

Sinto os anos pesando em cada ombro
alguém disse que estou louca
mas quantos anos se passaram?

Costumava sentir o movimento
as vezes algum vento
que parecia dizer que nada seria o mesmo,
passou.

Acordei num dia
de tempo parado
e sentei na beira de mim mesma:
sou mesmo isso que sempre vai assistir as repulsas do mundo
e do seu amor carregar a sombra,
sozinha.

Não sei mais ( do material feito meu)
a quem ouço.
dizem de um pássaro azul (talvez seja um corvo)
morando aqui dentro
alguém disse.
 (se já morreu )

 Por vezes
minha pele quase derrete
a sair sozinha
tanto querer arrancá-la
por repulsa.
por querer ser
aquilo que repulsa.

Pássaro ou pedra
não sei a quem ouço
(ou o que tem aqui)
mas eles dizem.
aqueles cuja voz sempre ouvi
(eles morreram também)

 morro todos os dias
da indiferença
de não sentir nada.
eu sou todos os olhos suplicantes (não, eles não suplicam)
famintos
de sentir

sou a pedra
matei o pássaro,
é que não suportava
ouvi-lo cantar.

Que me perdoe bukowski.